Você acha que a pressão social sobre a vida sexual das pessoas é coisa de hoje? Pois saiba que lá por 1700 a.C., na Mesopotâmia, o rei Hamurabi já colocava no papel (ou melhor, na pedra) regras bem rígidas sobre o que se podia ou não fazer entre quatro paredes — ou entre os juncos às margens do Eufrates.
O famoso Código de Hamurabi é um dos conjuntos de leis mais antigos da humanidade, e, como não poderia deixar de ser, tratava também de sexo, casamento e traição. Mas, claro, com uma pegada bem diferente da nossa.
Para começar, a régua media coisas diferentes para homens e mulheres. Os maridos podiam manter concubinas e amantes, pelo menos enquanto a esposa não desse filhos. Uma espécie de “plano B” pré-histórico para garantir a descendência. Já as mulheres tinham uma única missão: defender a honra sexual acima de tudo. O corpo feminino era visto como território sagrado (e vigiado) da família e do marido.
E aqui entra uma das leis mais curiosas e brutais: se alguém apontasse o dedo para uma mulher casada, acusando-a de adultério, mesmo sem flagrante ou prova alguma, ela era amarrada e jogada no rio. Acreditava-se que, se fosse inocente, a deusa do rio a salvaria do afogamento. Ou seja, a justiça divina faria o teste de flutuação enquanto a acusadora se debatia na água.
Funcionava como um “ordeálio” — um julgamento por provação. Se sobrevivesse, estava absolvida; se morresse, era considerada culpada. Meio lotérico, né? Imagine depender das correntezas para provar que você não traiu o marido. Além do trauma de ser atirada no rio na base da fofoca, a mulher ainda precisava torcer para ser uma boa nadadora ou para que os deuses estivessem de bom humor naquele dia.
O Código de Hamurabi nos mostra que, há milênios, a sexualidade feminina era controlada com mãos de ferro, enquanto a masculina ganhava atalhos e concessões. Hoje, ainda lutamos contra os ecos dessa história — a mulher que tem a vida íntima julgada, o corpo exposto como prova, a honra que ainda precisa ser defendida.
Mas, felizmente, não estamos mais na época em que o veredito sobre a sua cama vinha das águas do rio. Agora, o que importa é o que combina entre as pessoas envolvidas — sem dedos apontados, sem afogamentos e, principalmente, sem pesos diferentes para cada gênero.
E você? O que acha que mudou (ou não) desde os tempos de Hamurabi? Conta pra gente!