Clubes também viram emissoras: o futuro chegou
07/03/2026

A decisão da TV Palmeiras Sportingbet de transmitir os jogos do clube na Libertadores Feminina ajuda a evidenciar uma transformação que já vinha se desenhando no futebol, como um todo: os clubes também começam a atuar como emissoras, por meio de seus canais no YouTube.

O Palmeiras adquiriu um pacote específico para exibir apenas suas partidas no torneio, em um movimento alinhado ao novo modelo de comercialização da Conmebol, hoje mais fragmentado e aberto a diferentes plataformas.

Na prática, isso significa que os direitos já não ficam concentrados apenas nas grandes redes de TV. Eles podem ser negociados em recortes menores, incluindo transmissões por clube, por jogo ou por plataforma digital.

Para o futebol feminino, esse cenário é especialmente relevante. Quando nem todas as partidas despertam interesse imediato das emissoras tradicionais, os canais oficiais dos clubes surgem como alternativa para ampliar alcance, garantir exibição e fortalecer a relação direta com a torcida. Não há mais a desculpa, para o torcedor, de que não como acompanhar.

No caso do Palmeiras, a transmissão gratuita pelo YouTube aproxima o público da equipe feminina e cria novas possibilidades comerciais, com mais entregas a patrocinadores e maior controle sobre a própria narrativa.

O valor do acordo não foi divulgado, mas o simbolismo da operação é maior do que qualquer cifra imediata: o clube deixa de ser apenas objeto da transmissão e passa também a ser dono do próprio sinal. Espero que isso reflita no dever de pagar o direito de arena às atletas.

Esse movimento reforça algo que venho dizendo há anos: os clubes que hoje já se comportam como emissoras, em breve poderão dar um passo além. Se agora usam o YouTube como plataforma de distribuição, logo poderão retirar esses jogos da plataforma e levá-los para seus próprios aplicativos.

A mudança será estratégica. No app, o clube deixa de depender de um intermediário e passa a trabalhar com uma audiência qualificada, medida e identificada. Isso aumenta o valor comercial do produto, porque permite vender aos patrocinadores não apenas volume, mas informação precisa sobre quem assiste, quantos são e onde estão esses torcedores.

Mais do que isso, ao concentrar a transmissão em seu próprio ecossistema digital, o clube passa a captar dados dos torcedores para que eles acompanhem as partidas. A transmissão deixa de ser apenas mídia e passa a ser também ferramenta de relacionamento, cadastro e monetização.

É um modelo que fortalece a entrega comercial, aprofunda a conexão com a torcida e aponta para uma nova era na comunicação esportiva. Clubes também viram as suas próprias emissoras, com todas as responsabilidades que isso trás. E, ao que tudo indica, o futuro já chegou

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Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.