terça-feira, 10 de março de 2026
Cipós e memórias
31/08/2025

A madeira cortada era transformada em objetos de usos nas residências, os cipós que fechavam os caminhos eram transformados em caçoais e cestos para utilidades pelas famílias.
Nessa terra os caboclos retiravam o que produzia a mata, e esses sublimares gestos humanos foram lembrados recentemente em Serraria, numa ação capitaneada pela prefeitura municipal, durante uma série de eventos promovidos para ressaltar o que a cidade tem de mais bonito, que são sua gente, sua paisagem, sua economia e seu frio.
Organizadores trabalharam temas voltados à realidade da região, mas sobretudo, o que existe de mais pomposo e belo na cidade de Serraria, a acolhida de sua gente, a sua economia e o seu frio. Em 2024, abordaram a questão da escravidão nos seus últimos dias no município, em bonitas representações teatrais encenadas por adolescentes e crianças. Na versão atual do Caminho do Frio, de forma magistral, o grupo de teatro buscou as raízes do caboclo que trabalha utilizando cipós encontrados nas matas, com os quais fabrica caçoais, cestos, balaios.
Foi uma semana em que a cultura, a gastronomia, a economia gerada a partir dos engenhos e fazendas de café ganharam dimensão magistral ao mostrar a força de sua gente que, no passado criaram perspectivas para o futuro promissor.
A semana foi oportuna para a cidade voltar seus olhares ao passado de sua gente, um tempo renovado nos gestos de homens e mulheres que ainda hoje trançam cipós, dando forma de arte ao que a mata fornece.
Um povo que sobrevive de suas lembranças fortalece e alonga sua história. Mais uma vez em Serraria as memórias dos engenhos, das fazendas de café, de cipós trançados, são uma demonstração da fina arte engrandece a todos.
A cidade estava engalanada, tinha brisa e perfumada, estando participando da festa, fui surpreendido pelos conterrâneos que na infinita bondade ofertaram mimo com objetos artesanais e produtos da terra.
Certamente seus antepassados, homens e mulheres que edificaram sua história, se regozijariam com tudo isso. Então, agora, lembraria do meu trisavô José Pedro da Costa, do meu bisavô coronel do café João Mendes e do meu avó José Nunes, sapateiro que construía sela e arreios, e tantos outros que, na atualidade, sentem, orgulho em dizer que são de Serraria. Terra amada, Terra das Palmeiras, Princesa do Brejo.

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José Nunes
José Nunes

José Nunes é jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras (APL).