Enquanto os franceses chegam com ataque de gala, o Brasil vai de improviso defensivo – e isso pode ser uma temeridade

Tem amistoso que é amistoso. E tem amistoso que parece pegadinha. Brasil e França, nesta quinta-feira, entra fácil na segunda categoria. De um lado, dois dos atacantes mais temidos do planeta: Dembélé, eleito pela FIFA como melhor do mundo, e Mbappé, que, com ou sem troféu, continua sendo aquele tipo de jogador que faz qualquer zagueiro rezar antes de entrar em campo. Do outro lado, uma defesa brasileira que, com todo respeito, foi montada mais por necessidade do que por convicção.
Carlo Ancelotti não teve uma semana exatamente tranquila. Gabriel Magalhães, do Arsenal, caiu fora, Marquinhos, do PSG, até apareceu, mas o corpo disse “hoje não”, e o técnico italiano se viu obrigado a reorganizar o setor mais sensível do time às pressas.
Ele confirmou Léo Pereira, do Flamengo, como titular, e ficou ali entre Bremer (Juventus) e Ibáñez (Al-Ahli) para completar a dupla. Não é exatamente o cenário que ele desenhou quando aceitou o cargo.
E aí entra o ponto: não é pessimismo, é prudência. É aquele momento clássico de “botar as barbas de molho”. Porque amistoso é amistoso até a bola rolar. Depois, se o jogo começa a escapar, ninguém lembra que era só um teste. A França não entra em campo para fazer gentileza.
Porque esse contraste é curioso – e pode ser uma temeridade. Enquanto os franceses chegam com ataque de gala, o Brasil vai de improviso defensivo. É quase como convidar dois chefs estrelados para jantar e pedir para alguém que acabou de aprender a cozinhar cuidar do prato principal. Pode dar certo? Pode. Mas o risco é evidente.
E não é só uma questão técnica. É também psicológica. Zagueiro que entra pressionado contra Mbappé e Dembélé não joga só futebol. Joga contra a própria cabeça. Qualquer erro vira manchete, qualquer vacilo vira replay infinito.
Ancelotti, experiente como é, sabe disso. Provavelmente perdeu algumas horas de sono tentando ajustar o que dá para ajustar. Vai tentar proteger mais, fechar espaços, diminuir o campo. Mas há coisas que simplesmente não se controlam quando a bola chega nos pés de quem decide jogo em dois toques.
Enfim, é um amistoso. Mas daqueles que ninguém trata como amistoso de verdade. Para o Brasil, é teste. Para a França, é oportunidade. E para quem assiste, é aquele tipo de jogo que começa com curiosidade e pode terminar com preocupação.
Porque quando as coisas desandam, a gente sabe como começa. Só nunca sabe como termina.