João Pessoa, sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Céu púmbleo — uma lembrança
20/08/2026

Ao ver hoje o céu de Brasília coberto de poeira vermelha e fumaça, castigado pela seca de agosto, lembrei-me de uma história dos tempos de redação.

Nos anos 80, Chico César ainda era repórter e redator, muito antes de ganhar o Brasil como cantor e compositor. Certa vez, querendo talvez dar um lustro literário à matéria, escreveu que o céu de João Pessoa estava “púmbleo”.

Frutuoso Chaves, nosso editor, mestre e professor, leu aquilo, franziu a testa e considerou uma tremenda esnobação usar palavra tão difícil para dizer que o céu estava escuro, carregado, sombrio.

Décadas depois, diante deste céu brasiliense quase sem cor, a palavra esquecida me voltou inteira à memória. E pensei: Chico talvez exagerasse na forma, mas “púmbleo” continua sendo uma danada de uma palavra bonita.

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