sábado, 14 de fevereiro de 2026
Carnaval, contrato e confusão: A precipitação da CBF com Ancelotti
14/02/2026

A notícia que domina os bastidores do futebol brasileiro e que deve ser oficializada logo após o Carnaval é o acerto entre a CBF e o técnico Carlo Ancelotti para a renovação de seu contrato até 2030. O anúncio está previsto para acontecer em março, coincidindo com a convocação para os amistosos contra França e Croácia, selando um compromisso que atravessa a Copa de 2026 e mira o mundial seguinte. Enquanto o martelo é batido nos gabinetes, o treinador italiano protagoniza uma imersão carnavalesca por Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, em uma agenda patrocinada pela Brahma que, embora vendida como aproximação cultural, soa como uma exposição desnecessária e um desvio de foco em um momento que exige planejamento tático rigoroso.


No entanto, para além do marketing e da festa, o que precisa ser dito com clareza é que qualquer nome que se dê a essa iniciativa da CBF só pode ser definido como precipitação. É uma aposta temerária e sem lastro no desempenho atual da Seleção. É preciso projetar o cenário real: imagine se, na Copa do Mundo de 2026, o Brasil não se acerta, leva uma goleada, é eliminado precocemente ou faz um papelão histórico diante do mundo. Como fica, na prática e no papel, essa renovação antecipada por mais quatro anos? Ao assinar esse cheque em branco agora, a CBF ignora a volatilidade do futebol e se torna refém de uma multa rescisória astronômica e de um desgaste político sem precedentes caso o desastre em campo se concretize.

Tentar garantir uma estabilidade artificial antes do maior teste de fogo do ciclo é ignorar que, na Seleção Brasileira, o prestígio não sobrevive ao fracasso em Copas. A entidade está dobrando a aposta no escuro, premiando por antecipação um trabalho que ainda não entregou os resultados que a camisa amarela exige.

canal whatsapp banner

Compartilhe: