João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Avanço das doenças metabólicas leva médicos a rever a prática clínica 
04/09/2026

O crescimento das doenças metabólicas exige que a atualização profissional avance além da adoção isolada de novos tratamentos. A opinião é do médico e professor, Alexandre Duarte. 

Para ele, o problema não é falta de conhecimento. “Muitos médicos acumulam formações e técnicas, mas recebem essas informações como peças separadas. A fisiologia é o que permite conectar os sistemas, interpretar o que está acontecendo com aquele paciente e construir uma conduta a partir do caso real, em vez de depender somente de um protocolo previamente estabelecido”, explica. 

Duarte é referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do  Instituto Avantgarde, centro especializado em medicina metabólica e hormonal voltado à prevenção, investigação das causas de doenças crônicas e cuidado personalizado

A discussão ocorre em um momento de forte expansão da própria medicina brasileira. A Demografia Médica no Brasil 2025, elaborada pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com a Associação Médica Brasileira e o Ministério da Saúde, projetou 635.706 médicos no país em 2025, acréscimo de 116,5 mil profissionais em cinco anos. O levantamento identificou ainda 448 cursos de graduação, responsáveis por 48.491 vagas anuais, e projeta que o Brasil poderá ultrapassar 1,15 milhão de médicos em 2035.

A oferta de educação após a graduação também cresceu. Estudo da FMUSP e da AMB mapeou 2.148 cursos de pós-graduação lato sensu destinados a médicos, oferecidos por 373 instituições, sendo cerca de 40% na modalidade a distância. Para Duarte, a quantidade de opções aumenta a importância de distinguir a obtenção de certificados do desenvolvimento do raciocínio necessário para conduzir situações clínicas complexas.

Da fisiologia à decisão clínica

Em outubro, o evento Imersão em Fisiologia do Metabolismo Humano vai reunir, em São Paulo, profissionais de diferentes regiões do país para discutir fisiologia metabólica raciocínio clínico e condução individualizada de pacientes.

A imersão foi estruturada em três dias presenciais, das 9h às 21h, com conteúdo direcionado à integração entre fisiologia metabólica e hormonal e tomada de decisão clínica. A programação trabalha desde a condução da anamnese e a interpretação de exames até a construção de hipóteses e definição de condutas a partir da relação entre diferentes sistemas do organismo.

O evento também incorpora uma etapa de preparação a distância antes dos três dias presenciais. Segundo a organização, a fase EAD reúne aulas introdutórias e conteúdos complementares, enquanto o encontro em Alphaville concentra a aplicação prática, a discussão de casos e a interação com professores e convidados. 

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