Não foi morte, foi poesia em voo. Antonio Barros se despediu do mundo como quem encerra uma canção com a última estrofe no ar. Subiu num balão multicor, daqueles que só aparecem nos sonhos ou nos versos dos grandes, e foi morar no Céu.
Cecéu, sua companheira de vida, música e amor, olhou para cima e reconheceu, no desenho das nuvens, uma pauta de música invisível. “Olha, mulher, como o Céu tá bonito”, ele teria dito, com a serenidade de quem sempre soube que a eternidade se compõe com acordes simples e verdadeiros. “Vai me ver ali, entre uma estrela e outra, onde repousam as canções que a gente fez junto.”

Antonio era inventor de melodias, artesão de palavras que ganhavam corpo no corpo do povo. Compositor de alma, deixou mais de 700 músicas, como quem planta árvores e esperança no terreiro do tempo. Quem já dançou um forró, num salão de chão batido ou num São João enfeitado, dançou com ele — mesmo sem saber.
Foi Antonio quem nos deu Procurando Tu, Forró do Xenhenhém, Ói Eu Aqui de Novo e tantas outras que viraram hinos do amor, da festa, da vida simples com gosto de cuscuz e cheiro de chuva no sertão.
Agora, o Céu tem trilha sonora. E quando a gente ouvir, num rádio antigo ou na voz de um trio pé de serra, aquelas letras que grudam feito abraço, saberemos: Antonio Barros não partiu — apenas trocou de palco.
Subiu num balão e foi compor com Deus.