quarta-feira, 25 de março de 2026
Ancelotti quer uma seleção que desfile como Carnaval… E ele estava falando sério
24/03/2026

A ideia é sedutora. Uma seleção que jogue como um desfile bem ensaiado, em que cada peça sabe o seu lugar, mas sem perder a espontaneidade e o improviso

Na semana da Data Fifa, quando fará dois amistosos importantes, Carlo Ancelotti decidiu explicar a seleção brasileira com uma imagem que é puro Brasil – e também puro risco: o Carnaval. Não foi uma metáfora qualquer, daquelas jogadas ao vento. Foi uma construção. Ele contou que assistiu ao Carnaval da Bahia e do Rio de Janeiro, observou tudo de perto e saiu impressionado com o espetáculo. Energia, alegria, talento… mas, sobretudo, organização.

E foi aí que fez a aposta: disse que quer ver exatamente isso dentro de campo. Tudo aconteceu no programa Galvão FC, comandado por Galvão Bueno, no STB, na segunda-feira (23).

A ideia é sedutora. Uma seleção que jogue como um desfile bem ensaiado, em que cada peça sabe o seu lugar, mas sem perder o brilho, a espontaneidade e o improviso que fazem o público levantar. Uma mistura de arte e disciplina.

Mas também é uma comparação que caminha na corda bamba. Porque o Carnaval brasileiro tem dois lados bem conhecidos: quando dá certo, é apoteose. Quando dá errado, vira desfile truncado, carro alegórico enguiçado e samba atravessado. No futebol, a lógica não é muito diferente. Ancelotti sabe disso. E, ainda assim, resolveu bancar a analogia.

Na prática, a entrevista revelou um treinador que já tem boa parte do quebra-cabeça montado. Segundo ele, 18 jogadores estão praticamente garantidos na Copa do Mundo. Se entram na conta nomes lesionados em que ele confia – como Militão, Bruno Guimarães e Estêvão – e a possível volta de Neymar, sobram apenas quatro vagas. Quatro lugares para um país que sempre se orgulhou de ter excesso de talento.

Ao falar do elenco, preferiu não cravar hierarquias, mas deixou claro que aposta em uma base sólida, com nomes experientes e liderança, como Marquinhos, Alisson, Casemiro, Vinicius Júnior e Raphinha, ao lado de jovens que começam a ganhar espaço.

O diagnóstico mais curioso – e talvez mais incômodo – foi sobre as laterais. Um setor que já foi marca registrada do Brasil hoje aparece como problema. Ancelotti reconhece a carência e admite soluções menos ortodoxas, como usar zagueiros improvisados, priorizando equilíbrio em vez de vocação ofensiva.

No ataque, ao contrário, sobra material. A ideia é montar um time com quatro jogadores à frente, explorando o talento disponível, mas sempre com uma preocupação clara: organização.

De novo, o carnaval. Porque, para ele, não basta só brilho. É preciso ensaio.

Sobre Vinicius Júnior, foi direto: acredita que pode ser decisivo na Copa, mas fez questão de dividir o protagonismo. Para Ancelotti, a força do Brasil está justamente em não depender de um único nome.

No fim, a mensagem é clara: ele quer uma seleção que encante, mas que também funcione. Que tenha a leveza do improviso, mas a precisão de quem sabe exatamente o que está fazendo.

Uma escola de samba que não pode errar o tempo.

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