
Durante meses, uma pergunta ecoou entre comentaristas e torcedores: por que Vinícius Júnior brilhava tanto no Real Madrid e rendia tão pouco na Seleção Brasileira? Nos tempos de Fernando Diniz e, depois, de Dorival Júnior, o clamor era quase unânime. Havia quem defendesse que os treinadores brasileiros deveriam pegar um avião para Madri e descobrir com Carlo Ancelotti o famoso “modo de usar” do camisa 7. O técnico italiano, afinal, transformara Vini em um dos jogadores mais decisivos do planeta.
Pois o tempo mostrou que o tal manual existia. E, curiosamente, quem o colocou em prática foi justamente Ancelotti. Nesta Copa do Mundo, a melhor versão de Vinícius Júnior no Real Madrid finalmente desembarcou na Seleção Brasileira. Livre para se movimentar, recebendo a bola em condições favoráveis e com total confiança para atacar, o atacante assumiu o protagonismo deixado pela ausência de Neymar e virou o principal nome da equipe.
Os números não deixam margem para dúvidas. O Brasil marcou quatro gols até aqui. Vinícius participou diretamente de todos eles: fez dois e deu assistência para os outros dois. Foi eleito o melhor jogador em campo nas duas partidas disputadas e se transformou na referência técnica e emocional da equipe.
Mais do que as estatísticas, chama atenção a naturalidade com que o futebol flui. O drible, a velocidade, a intensidade e a capacidade de decidir reapareceram com a mesma força vista no Real Madrid. Não se trata de um novo Vinícius, mas do mesmo jogador que sempre existiu e que agora, finalmente, encontrou na Seleção um ambiente tático capaz de potencializar suas virtudes.
Talvez a maior descoberta deste Mundial não seja um novo craque. Vinícius Júnior já era isso há muito tempo. A grande descoberta é que a Seleção Brasileira, enfim, encontrou o manual de instruções do seu camisa 7.