quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Alta nas ações trabalhistas transforma feriados prolongados em teste de gestão nas empresas
24/02/2026

Períodos de alta demanda revelam falhas em escalas, banco de horas e pagamento de adicionais

O número de ações trabalhistas voltou a crescer no Brasil e atingiu um dos maiores patamares das últimas décadas em 2024. O Tribunal Superior do Trabalho registrou mais de 4 milhões de processos julgados no ano, dos quais cerca de 3,6 milhões foram novos casos. Em meio a esse cenário, períodos de alta demanda, como o Carnaval e outros feriados prolongados, têm exposto falhas recorrentes na gestão de escalas, banco de horas e pagamento de adicionais, especialmente em setores que operam no limite da capacidade.

A combinação entre aumento da judicialização e complexidade das normas trabalhistas transforma esses períodos em um teste prático da maturidade da gestão empresarial.

Para Mayra Saitta, advogada tributarista e empresária à frente do Grupo Saitta, hub de contabilidade, advocacia e consultoria empresarial, esses momentos funcionam como uma prova de estresse dos sistemas internos. “É em períodos como o Carnaval que aparecem com clareza os erros em escalas, adicionais e controle de banco de horas. O problema existe o ano inteiro, mas só fica evidente quando a empresa precisa operar no limite”, afirma.

Levantamentos da própria Justiça do Trabalho indicam que controvérsias sobre horas extras, intervalos e compensações estão entre os principais motivos de litígios. Em atividades que dependem de mão de obra sazonal, como comércio e turismo, o risco aumenta. “Quando a escala é organizada sem observar convenção coletiva ou regras de compensação, o empresário assume um passivo que pode comprometer o caixa meses depois”, diz.

O impacto vai além de multas e custas judiciais. Falhas na gestão trabalhista afetam margem, reputação e clima organizacional. Empresas que tratam o feriado como exceção, e não como parte do planejamento anual, tendem a repetir erros. Já aquelas que estruturam processos preventivos conseguem transformar o período em oportunidade de fortalecimento interno.

A especialista aponta cinco medidas que empresas devem adotar para evitar erros trabalhistas em feriados prolongados

Depois de períodos de alta demanda, o momento é de revisar práticas e contratos, com foco na prevenção de riscos e na organização das rotinas.

  1. Revisar convenções coletivas
    Antes de definir escalas, é indispensável analisar o que determina a convenção da categoria sobre trabalho em feriados, adicionais e compensações. Ignorar esse ponto é uma das causas mais recorrentes de autuações.
  2. Formalizar banco de horas
    A compensação precisa estar respaldada por acordo válido e controle transparente. Sistemas digitais reduzem falhas e oferecem rastreabilidade em eventual fiscalização.
  3. Planejar escalas com antecedência
    Antecipar a organização de turnos evita improvisos e diminui a exposição a pagamentos indevidos ou descumprimento de intervalos legais.
  4. Mapear riscos por setor
    Áreas com maior fluxo de clientes demandam reforço de equipe. A análise prévia permite calcular o custo real da operação e evitar surpresas financeiras.
  5. Contar com assessoria especializada
    A contratação de consultoria trabalhista e contábil integrada ajuda a cruzar dados de folha, jornada e encargos, reduz inconsistências e fortalece a governança.

Segundo Mayra, empresas que investem em estrutura preventiva colhem ganhos além da conformidade. “Gestão trabalhista não é apenas evitar multa. É proteger margem, organizar processos e transmitir segurança para o colaborador”, conclui.

Com um calendário anual marcado por sucessivos picos de demanda, cada período de maior movimento funciona como diagnóstico da organização interna. Quando surgem falhas nesses momentos, o risco é que a desorganização se converta em passivo judicial e impacto financeiro no médio prazo.

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