
A pergunta, que parece provocação, passou a fazer sentido depois do episódio recente envolvendo a prisão do ex-deputado foragido Alexandre Ramagem, nos Estados Unidos.
Recorde-se que, no sábado (11), após vencer no UFC, Borrachinha protagonizou uma cena que viralizou. Ao se aproximar de Donald Trump – que estava no evento – foi direto: “Obrigado por fazer o que está fazendo”.
Não explicou o motivo, não detalhou a que se referia. A resposta veio em tom completamente diferente. Trump ignorou o hipotético conteúdo político e preferiu elogiar a aparência do brasileiro, dizendo que ele poderia ser modelo. A conversa terminou ali, desconexa, quase absurda.
Dois dias depois, o cenário mudou. Alexandre Ramagem, que estava foragido da Justiça brasileira, acabou preso por agentes de imigração nos Estados Unidos após entrar no país com documentação irregular. Um fato concreto, objetivo, ligado diretamente à atuação das autoridades americanas – ou seja, a exatamente “o que está sendo feito”.
E é nesse ponto que o elogio de Borrachinha ganha outra dimensão. Ao não dizer o que estava agradecendo, ele acabou dizendo tudo. O pacote fica aberto. Inclui as decisões políticas, os embates internacionais, taxações comerciais arbitrárias, ameaça de exterminar uma civilização inteira, confronto com o Papa Leão XIV – e, claro, também ações práticas como a prisão de um brasileiro em solo americano.
A ironia é inevitável, apesar de o presidente norte-americano não ter entrado “no jogo”. Não pediu explicação a Borrachinha, não reforçou o conteúdo do elogio, não politizou a cena. Preferiu encerrar o assunto com um comentário superficial, como se não houvesse nada além de uma conversa casual à beira do octógono.
Mas havia. E agora, com a prisão de Ramagem, a frase de Borrachinha deixa de ser apenas um gesto impulsivo de pós-luta e passa a funcionar como um enigma incômodo: afinal, quando ele agradeceu “pelo que está sendo feito”, ele sabia exatamente o que estava incluído nesse agradecimento? Ou, sem perceber, acabou aplaudindo mais do que imaginava?