quinta-feira, 2 de abril de 2026
Aeroporto de Brasília vai a novo leilão e puxa mais 10 terminais no pacote
01/04/2026

Eu estava atravessando um saguão chiquérrimo na Europa, aquele povo andando com cara de reunião decisiva e café caro na mão, quando caiu no meu colo o tipo de notícia que faz executivo de infraestrutura sorrir com planilha aberta. O Aeroporto de Brasília vai passar por um novo leilão, minha gente. E não vem sozinho, porque o pacote inclui mais dez aeroportos regionais, o que já dá aquele perfume de operação grande, lobby elegante e disputa com salto fino no asfalto.

No bastidor digital, esse tipo de notícia nunca viraliza como briga de camarim, mas mexe com um povo que ama postar foto de obra, canteiro, capacete branco e frase sobre futuro do país. E tem um detalhe delicioso para quem gosta de feed com subtexto: a operação é vendida como continuidade do Programa AmpliAR, aquele modelo em que aeroportos menores entram na mala de concessões maiores para ganhar tração. Traduzindo do burocratês para o idioma da mesa de bar, Brasília vira a joia do lote e os aeroportos regionais entram como parte da engenharia política e econômica do pacote. Teve autoridade falando em segurança para investimentos, melhora de serviço e benefício para outras cidades. Ninguém ia dizer outra coisa, claro, mas desta vez o desenho tem peso real.

A leitura maldosa, porém educada, é simples. O governo precisava ajustar uma concessão relevante sem deixar a novela azedar mais do que já azedou no setor aéreo brasileiro nos últimos anos. O TCU entrou como adulto da sala, organizou o acordo e empurrou a solução para uma relicitação com cara de arrumação institucional. Também ficou acertada a saída da Infraero da concessão atual, com remuneração pela sua participação societária de 49%. Ou seja, teve rearranjo de poder, teve redesenho de contrato e teve a velha máxima de Brasília, aquela cidade que adora chamar terremoto de repactuação consensual.

No fim, o aeroporto da capital virou vitrine de uma operação que mistura infraestrutura, política pública e dinheiro graúdo com a elegância de quem sorri no evento e fecha o negócio no reservado. E eu só digo uma coisa, em Brasília até pista de pouso entra em clima de sucessão, porque aqui ninguém troca comando sem transformar a sala VIP num pequeno capítulo de novela executiva.

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