A CBF começou a negociar o novo ciclo de direitos de transmissão da Copa do Brasil, válido de 2027 a 2030, e a lista de convidados virou assunto nos bastidores da mídia esportiva. Globo, SBT, Record, Amazon, TNT Sports, Paramount e Disney foram chamadas para conversar. Até o YouTube teria sido consultado. Mas a CazéTV, uma das maiores forças recentes do esporte no streaming brasileiro, ficou de fora.
Eu já estava no carro, saindo do Cosme Velho e tentando responder três áudios ao mesmo tempo, quando li que a CBF chamou meio mundo para falar da Copa do Brasil e deixou a CazéTV do lado de fora da sala. Aí eu parei de brigar com o cinto de segurança e fui entender a treta. Porque, meu amor, quando até YouTube recebe sondagem e Casimiro não recebe nem convite para o café, não é esquecimento. É recado.
Segundo a coluna Outro Canal, de Gabriel Vaquer, a CBF não procurou a CazéTV para as rodadas de negociação. Nos bastidores, a explicação seria a relação complicada da entidade com a Livemode, uma das sócias do projeto esportivo liderado por Casimiro Miguel. Ou seja: o problema não parece ser audiência, alcance ou relevância digital. O ruído está na cozinha onde se fecham contratos.
A movimentação chama atenção porque a CazéTV virou uma potência nas transmissões esportivas, com linguagem própria, público jovem e presença forte em grandes eventos. O canal ajudou a redesenhar a forma como muita gente consome esporte no Brasil, justamente pelo estilo menos engessado e pela força de Casimiro nas redes. Mas, para a CBF, ao menos neste momento, isso não foi suficiente para abrir a porta da Copa do Brasil.
A entidade quer fechar um contrato longo, de quatro anos, e pretende fazer uma venda dividida dos pacotes. A ideia é que os vencedores saibam de antemão quantas partidas poderão exibir e alternem escolhas de jogos importantes por rodada. Na prática, é um desenho para tentar agradar mais de uma empresa e inflar o valor total da negociação.
E dinheiro é o coração dessa novela. A CBF mira um recorde de arrecadação com o novo ciclo da Copa do Brasil. A expectativa mais otimista gira em torno de R$ 1 bilhão. Hoje, com Globo e Amazon, o contrato rende cerca de R$ 700 milhões. O salto interessa diretamente aos clubes, já que os direitos de transmissão ajudam a bancar a premiação do torneio.
