A Rosa Amarela de Nathan
04/04/2026

Jornalista que pautou a vida pela regra do bem viver, adepto das práticas de São Francisco de Assis e viveu cultuando a paciência de Gandhi e a não violência de Dom Helder Câmara, Nathanael Alves foi, durante mais de duas décadas o modelo para as novas gerações. Duas décadas porque cedo morreu, deixando um vácuo nas redações ainda carente de ser preenchido.

Seus artigos ganharam notoriedade desde o primeiro momento em que começou a escreveu para a Tabajara, ao tempo em que as rádios abriam espaços para colaboradores. Escreveu contos e poesias que guardava, exceto em algumas ocasiões em que publicava em revista ou suplemento literário, a exemplo da narrativa “Rosa Amarela”, que ganhou prêmio e foi bastante badalada à época que chegou ao conhecimento do público.

Após sua morte, no ano de 1981 que, numa iniciativa do Jornal A União à época comandada por Gonzaga Rodrigues, Petrônio Souto e Agnaldo Almeida, foi publicada uma coletânea de artigos denominada “O Pássaro e a Bala”, que enriquece a literatura paraibana no gênero.  

Os anos passaram sem que outros trabalhos de sua lavra tenham sido publicados, até que neste ano, seus filhos decidiram gradativamente tornar público parte de sua extensão produção literária composta de contos, poesia, crônicas, entrevistas e depoimentos. Chegou às livrarias o livro de contos “Rosa Amarela”, numa edição da editora Ideia. 

Será uma oportunidade para fazer memória a este jornalista que, tendo nascido em Arara, quando este lugar ainda pertencia ao município de Serraria, tomou como base de sua formação intelectual e cidadão, a casa de acolhimento do Padre José Coutinho, para vinham os desvalidos e necessitados de acolhida.

O livro tem apresentação do cronista Gonzaga Rodrigues, amigo e confidente dos mesmos anseios libertários e literários. Ele destaca a força criativa de Nathanael Alves, seja como cronista ou contista, uma façanha pouco conhecida dele. 

Também consta no livro, como posfácio, um esclarecedor texto do médico e escritor Ricardo Rosado Maia, que faz referência ao período em que Nathanael residia na casa do Padre Zé Coutinho, dando uma inestimável contribuição para que fosse instalado por um grupo de acadêmicos de Medicina e médicos recém-formados o embrião do que hoje é o Hospital Padre Zé.

Quem comparecer ao lançamento vai poder conhecer um pouco mais da atuação deste que faz parte da galeria dos mais destacados jornalistas paraibanos que “somente não foi do Brasil, porque quiser ser da Paraíba”, no dizer de José Américo de Almeida. Será distribuído o perfil biográfico de Nathanael, escritor por mim, numa segunda edição. 

Assim, silenciosamente como convém, haveremos de cultivar a rosa amarela de Nathan, regando com a água da saudade, mesmo que seja difícil a caminhada e esturricado o terreno.

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José Nunes
José Nunes

José Nunes é jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras (APL).