A partir de maio de 2026, a saúde mental será uma exigência legal para as empresas. A montanhista Aretha Duarte, primeira mulher negra latino-americana a chegar ao cume do Everest, revela como experiências imersivas criam ambientes de trabalho mais resilientes e conscientes.

Aretha Duarte faz, em suas palestras, um paralelo entre os desafios da montanha e os desafios do mundo corporativo. Crédito imagem: divulgação.
O ano de 2026 marca um novo capítulo para a saúde e segurança no trabalho no Brasil. A partir de 25 de maio, entra em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir das empresas a inclusão dos riscos psicossociais, como estresse, ansiedade e burnout, em seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR). Essa mudança reforça a crescente conscientização sobre a importância do bem-estar mental no ambiente corporativo e impõe às organizações a responsabilidade de implementar medidas preventivas eficazes.
Nesse contexto desafiador, o esporte é fundamental para a saúde mental, pois age como um antidepressivo natural ao liberar endorfina e serotonina, substâncias que melhoram o humor e reduzem o estresse e a ansiedade. Além de aliviar tensões diárias, o exercício aumenta a autoestima, a disciplina, a concentração e a qualidade do sono, promovendo uma melhor regulação emocional. A experiência em ambientes de extrema pressão e o método desenvolvido no programa “Todas no Topo” pela montanhista Aretha Duarte – empreendedora e palestrante TED reconhecida como a primeira mulher negra latino-americana a escalar o Monte Everest – oferecem um caminho prático para as empresas não apenas atenderem às novas exigências da NR-1, mas também para cultivarem uma cultura de autoconsciência e resiliência.
“Assim como em uma expedição de alta montanha, onde cada passo exige preparo físico e mental, no ambiente corporativo é fundamental desenvolver a resiliência e a capacidade de enfrentar desafios com equilíbrio emocional. A NR-1 é um convite para olharmos a saúde mental de forma estratégica”, afirma Aretha Duarte. A seguir, ela apresenta 7 passos práticos para orientar líderes e organizações na implementação da NR-1 com foco em saúde mental, resiliência e performance sustentável.
- Enxergar a NR-1 como um novo olhar para a saúde mental no trabalho
A atualização da NR-1 sinaliza uma evolução do entendimento sobre o que constitui um ambiente de trabalho seguro e saudável. Não se trata mais apenas de prevenir acidentes físicos, mas de proteger o capital humano contra o esgotamento mental e emocional. “A nova NR-1 nos força a sair da zona de conforto e a mapear riscos que antes eram invisíveis ou negligenciados. É um avanço que coloca o bem-estar do colaborador no centro da gestão, impactando diretamente a produtividade e a sustentabilidade das equipes”, destaca Aretha. A adaptação a essa norma, cuja vigência efetiva é prevista para maio de 2026, exige uma mudança cultural profunda nas organizações.
- Praticar esportes como laboratório de bem-estar emocional
O montanhismo e a imersão na natureza, por exemplo, se mostram um poderoso antídoto para os desafios psicossociais do ambiente corporativo. Estudos indicam que passar pelo menos duas horas na natureza por semana melhora a saúde e o bem-estar, reduzindo o cortisol, hormônio do estresse, em 21,3% por hora, e aumentando a criatividade e a capacidade de resolução de problemas em até 50%.
“A natureza nos ensina sobre equilíbrio, paciência e resiliência. Essas são lições valiosas que podem ser aplicadas no ambiente corporativo para promover uma cultura de bem-estar e produtividade”, complementa Aretha. A capacidade de lidar com o inesperado, a força mental para superar obstáculos e a consciência dos próprios limites são competências intrínsecas ao desafio de um montanhista e que se traduzem diretamente em um melhor gerenciamento do estresse e da pressão no dia a dia corporativo.
- Manter a autoconsciência como forma de prevenção
Para Aretha Duarte, a prevenção dos riscos psicossociais começa com o autoconhecimento. “Conhecer seus limites, identificar os sinais de esgotamento e entender como você reage sob pressão são habilidades que a montanha nos ensina de forma visceral. Essa autoconsciência é crucial para que líderes e equipes possam gerenciar o estresse antes que ele se torne burnout”, explica. Programas que incentivam a reflexão e o contato com o próprio eu são ferramentas poderosas para desenvolver essa percepção e promover uma cultura de cuidado mútuo.
- Buscar soluções imersivas para as demandas da NR-1
É nesse contexto que o programa “Todas no Topo”, idealizado por Aretha Duarte, se posiciona como uma resposta prática e inovadora às exigências da NR-1. Trata-se de uma experiência imersiva de quatro dias nas montanhas, direcionada a mulheres em posições de liderança ou em transição de carreira, que buscam desenvolver suas habilidades de forma profunda, real e transformadora.
Durante o programa, as participantes enfrentam situações que estimulam a tomada de decisão sob pressão, a liderança em ambientes incertos, o trabalho em equipe, a autonomia e a comunicação empática. “Ao se desconectar do cotidiano e se conectar com a natureza, as participantes desenvolvem uma nova perspectiva sobre si mesmas e sobre como lidar com o estresse e a pressão no ambiente de trabalho”, destaca Aretha.

Aretha Duarte, idealizadora do programa “Todas no Topo”. Crédito imagem: divulgação.
- Ser resiliente na liderança em ambientes incertos
A NR-1 foca na antecipação e avaliação de riscos. Em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA), a capacidade de liderar em ambientes incertos é uma competência essencial. “A montanha é a própria personificação do ambiente incerto. O clima muda, o terreno é imprevisível. Você aprende a confiar na sua preparação, na sua equipe e na sua capacidade de adaptação. Essa resiliência é diretamente transferível para a gestão de crises e projetos no mundo corporativo”, pontua a montanhista. O “Todas no Topo” simula essas condições, preparando líderes para enfrentar o desconhecido com mais confiança.
- Considerar o bem-estar emocional como diferencial competitivo
Investir em bem-estar emocional não é apenas uma questão de conformidade legal com a NR-1, mas um diferencial estratégico. Empresas que promovem ativamente a saúde mental de seus colaboradores observam uma redução significativa nos índices de absenteísmo, aumento da produtividade, maior engajamento e melhor retenção de talentos. “Preparar líderes para enfrentar desafios com inteligência emocional e promover ambientes de trabalho saudáveis é essencial para o sucesso sustentável das organizações”, reforça Aretha Duarte.
- Visualizar o futuro da liderança como algo humano e estratégico
A nova NR-1 e iniciativas como o “Todas no Topo” convergem para uma visão de liderança mais humana e estratégica, onde o cuidado com o indivíduo se traduz em resultados coletivos robustos. A capacidade de construir um ambiente onde a autoconsciência, a prevenção e o suporte emocional são prioridades se torna um pilar para a inovação e o crescimento. “A saúde mental e a liderança caminham juntas. Não há como sustentar uma performance de excelência sem cuidado, sem pausas e sem um time que se apoia. O ‘Todas no Topo’ é sobre isso: encontrar a sua força no coletivo e se fortalecer para inspirar outros,” finaliza a montanhista.