terça-feira, 7 de abril de 2026
7 de Abril, o dia dos incompreendidos
07/04/2026

Ser jornalista é conviver com a estranha sina de dizer o que ninguém quer ouvir — e ainda ser acusado de inventar o que apenas revelou. O fato incomoda, a verdade arranha, e o mensageiro vira suspeito. Se agrada, dizem que foi sorte; se desagrada, é perseguição. No meio disso, o jornalista segue, com bloco, memória e um certo cansaço de explicar o óbvio.
Eu, particularmente, sou um caso clínico de incompreensão: virei jornalista, delegado de polícia do Distrito Federal, especialista em Inteligência Estratégica e advogado. Para alguns, isso é currículo; para outros, é prontuário. Há quem desconfie até do silêncio que faço — acham que estou apurando.
Não vou nem acrescentar poeta popular, para não me chamarem de um Cuíca de Santo Amaro desvairado, desses que rimam indignação com teimosia. Já basta o peso de lidar com fatos que não pedem licença para existir.
No fim das contas, o jornalista paga o preço de cutucar o que muitos preferem esconder debaixo do tapete — e, às vezes, o tapete é caro, persa, comprado com dinheiro público.
Mas seguimos. Porque, desde Giovanni Battista Líbero Badaró, morto em 1830 por incomodar poderosos, o ofício já sabia que não seria fácil. Ainda assim, resistimos.
Entre desconfianças, ironias e algumas verdades mal digeridas, ergamos um brinde — mesmo que seja de café frio — a este 7 de abril.
Porque, no fundo, ser incompreendido é apenas o preço de não se calar.

canal whatsapp banner

Compartilhe: