Eu estava só de longe, de óculos escuros e espírito venenoso em repouso, quando recebo a fofoca quente direto da Times Square. O cinema brasileiro entrou no IMAX de salto alto, cabelo alinhado e sem pedir licença. Sim, meus amores, 2DI4: 24 Horas no Limite fez pré estreia em Nova York com casa cheia, ingresso disputado e aquele clima de “chegamos”.
A sessão no AMC Empire 25 teve cheiro de conquista internacional. Plateia cheia, brasileiros emocionados e gringos curiosos tentando entender como o país do carnaval também sabe filmar velocidade, tensão e nervo à flor da pele. Miami e Daytona já tinham dado sinais de flerte sério, mas Nova York selou o romance.
No centro desse espetáculo acelerado estão os irmãos Abdala, jovens, obcecados e com aquela fome típica de quem não veio brincar de cinema. Eles botaram a câmera dentro da cabeça de Felipe Nasr, piloto que levou a Porsche Penske à vitória nas 24 Horas de Daytona 2026, e entregaram uma experiência que pede tela gigante, som alto e atenção total. Nada de filminho comportado para sessão das quatro da tarde.
O burburinho é real. Sete anos de produção, aposta em imagem grande, narrativa em primeira pessoa e uma confiança quase insolente no drama que só o mundo real entrega. Resultado. Prêmios, estreia internacional forte e um Brasil que aparece elegante no cardápio global do cinema.
A estratégia foi clara e ousada. Primeiro seduzir o público norte americano, depois desembarcar oficialmente por aqui. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 30 de abril, com IMAX primeiro e salas tradicionais logo na sequência. Tudo muito pensado, tudo muito calculado, como corrida de resistência.
E eu observo tudo com aquele sorriso enviesado de quem sabe. Quando o cinema brasileiro resolve acelerar, não é para dar volta de apresentação. É para cruzar a linha de chegada sendo aplaudido.