Em diálogo rápido na manhã desta sexta-feira com o editor do portal O Norte Online, Joanildo Mendes, a presidente estadual do PT respondeu sobre a indicação de vice na chapa de Lucas Ribeiro:
– “O PT segue decidindo seu rumo.”
– “E Ricardo Coutinho?”
– “Ricardo responde por ele.”
– “Quem vai decidir, Brasília ou a Paraíba?”
– “Quem vai decidir é o Diretório Estadual, em consonância com o Nacional.”
As respostas lacônicas da presidente estadual do partido, não surgiram por acaso. Elas são um posicionamento direto ao movimento do ex-governador Ricardo Coutinho, que tentou esvaziar o papel do diretório estadual no debate sobre a vaga de vice na chapa de Lucas Ribeiro.
O recado vem em um momento de forte repercussão política desde que surgiu, no início da semana, a informação de que o presidente Lula teria sinalizado a importância de o PT ocupar a vaga de vice. A articulação foi discutida em Brasília, em reunião que contou com a direção nacional do partido e com a própria Cida Ramos.
Segundo o que foi tratado, não houve resistência do grupo aliado ao governador Lucas Ribeiro, o que abriu espaço para que o tema passasse a ser debatido internamente no PT.
Em construção
Cida confirmou esse cenário, mas fez questão de deixar claro que não se trata de uma definição automática. Ela afirmou que a escolha exige construção política, perfil adequado e alinhamento com a estratégia local, destacando que o partido tem condições de colocar a discussão na mesa e consolidar compromissos dentro de um plano de governo.
É dentro desse contexto que está marcada a reunião deste sábado, dia 11, quando o PT da Paraíba deve anunciar sua posição.
Foi justamente essa previsão que provocou a reação de Ricardo Coutinho. Em entrevista, o ex-governador demonstrou incômodo com o rumo das articulações e partiu para um confronto direto com a condução feita por Cida Ramos. Ele afirmou que o diretório estadual não tem poder para decidir sobre o tema e que qualquer definição caberá exclusivamente à direção nacional do partido.
Ricardo disse que seu foco está na instância nacional e que pretende se posicionar apenas após uma definição “lá de cima”. Também destacou preocupação com o legado e com o rumo político do partido no estado.
O ponto mais incisivo da fala, no entanto, foi a tentativa de desautorizar a reunião deste sábado. Segundo ele, o encontro não terá poder de decisão e não resultará em anúncio algum, uma vez que, de acordo com sua interpretação, a deliberação sobre alianças desse porte cabe ao PT nacional.
“Não adianta dizer que vai decidir, não vai decidir. Vai decidir lá em cima”, afirmou.
É exatamente esse argumento que a fala de Cida Ramos desmonta. Ao afirmar que o PT está decidindo seu rumo e que o faz em consonância com a direção nacional, ela elimina a tese de conflito e, ao mesmo tempo, reafirma o papel do diretório estadual no processo.
Na prática, Cida sustenta que não há imposição nem ruptura. O que existe é uma construção política conjunta, iniciada em Brasília e que segue sendo debatida na Paraíba – com um desfecho previsto para este sábado.
O episódio revela um incômodo isolado dentro do partido, mas não altera o eixo principal da articulação. O PT discute, sim, a vaga de vice. Discute com Brasília.
E deve dizer, neste sábado, qual caminho pretende seguir.
