quinta-feira, 2 de abril de 2026
Cícero promete hoje uma decisão final, mas entrevista amplia dúvidas sobre candidatura
02/04/2026 05:49
Redação ON Reprodução

A entrevista do prefeito Cícero Lucena ao repórter Maurílio Júnior, em vez de reduzir a incerteza, acabou ampliando a sensação de indefinição nos bastidores da política paraibana — justamente no momento em que o relógio já entrou nos acréscimos do prazo de desincompatibilização.

Cícero tenta transmitir segurança ao afirmar que “a decisão já está tomada”. Mas, na prática, o conteúdo da fala revela o oposto: uma decisão ainda condicionada a fatores externos, especialmente à formação da chapa.

Há um contraste evidente entre discurso e trajetória recente. Nos últimos seis meses, o prefeito percorreu o estado, articulou apoios e construiu musculatura política suficiente para liderar pesquisas. Esse capital não surgiu por acaso. Foi resultado de movimento, de presença, de intenção clara de disputar o governo. Não foi um número que “apareceu”; foi um número conquistado.

Por isso, causa estranhamento que, na reta final, ele ainda mantenha suspense. Quando diz que “não temos pressa”, mesmo com prazo definido até o dia 4, Cícero sinaliza que a decisão, embora declarada como tomada, ainda depende de ajustes políticos. E esses ajustes têm nome: o vice.

O próprio prefeito admite, ainda que indiretamente, que deseja um nome de Campina Grande, com peso político e capacidade de governar ao seu lado. A preferência inicial por Pedro Cunha Lima não avançou. A alternativa de Diogo Cunha Lima segue cercada de versões conflitantes. E a menção ao deputado Romero Rodrigues terminou com um gesto público de recuo.

Ou seja: o impasse não é sobre ser candidato. É sobre com quem ser candidato.

Outro ponto relevante da entrevista é o cuidado de Cícero em não fechar portas. Ao comentar a fala do governador João Azevêdo, ele reforça que a divergência é política, não pessoal — e admite, ainda que de forma elegante, a possibilidade de recomposição futura. Esse tipo de declaração não é comum em quem está totalmente decidido a romper.

Há, portanto, uma ambiguidade calculada. Cícero mantém viva a candidatura, mas também preserva pontes. Avança e recua no mesmo movimento.

A entrevista entrega mais sobre o momento político do que sobre a decisão em si. Mostra um candidato viável, competitivo, líder nas pesquisas, mas travado por uma equação incompleta.

A coletiva prometida para esta quinta-feira surge, assim, como um ponto de inflexão. Não apenas para confirmar uma candidatura que, na prática, já foi construída — mas para revelar se ela conseguirá, enfim, se viabilizar por inteiro.

Porque, hoje, a dúvida já não é se Cícero quer ser candidato. A dúvida é se ele conseguiu montar as condições para isso.

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