João Pessoa, sábado, 24 de outubro de 2026
Cícero Lucena e outros prefeitos: o salto frustrado das capitais aos governos
07/10/2026 05:49
Redação ON Reprodução

Cícero Lucena deixou a Prefeitura de João Pessoa para tentar chegar ao Palácio da Redenção e terminou sem os dois cargos. Sua derrota ilustra uma aposta que também custou caro a outros gestores de capitais: abrir mão do mandato municipal na expectativa de transformar projeção local em vitória estadual.

Na Paraíba, Cícero apostou na experiência e na força política construída na capital, mas terminou em terceiro lugar. O resultado expôs os limites de sua candidatura e mostrou que o caminho até o governo exigia mais do que o reconhecimento acumulado à frente de João Pessoa.

Em Pernambuco, João Campos também encontrou dificuldades para converter a popularidade no Recife em uma conquista estadual. A visibilidade nas redes sociais e a aprovação da gestão municipal alimentaram expectativas que não se confirmaram nas urnas. O desempenho reforça uma diferença decisiva: ser bem avaliado como prefeito não significa ser a escolha do eleitor para governador.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes enfrentou desafio semelhante ao deixar a prefeitura para disputar o comando do estado. A experiência administrativa e a projeção na capital não bastaram para assegurar a vitória. Uma candidatura estadual precisa construir apoio na região metropolitana e no interior, onde as prioridades e as relações políticas nem sempre acompanham as da capital.

Outras “apostas”

A relação de apostas frustradas inclui ainda David Almeida, em Manaus; Eduardo Braide, em São Luís; Tião Bocalom, em Rio Branco; e Lorenzo Pazolini, em Vitória. Embora cada disputa tenha suas particularidades, os casos evidenciam o risco de tratar a prefeitura como um trampolim com destino garantido.

Ao renunciar, o gestor entrega ao vice o comando da administração e passa a enfrentar a cobrança por interromper o mandato recebido nas urnas. Não é possível explicar todas essas derrotas pela saída antecipada, mas a decisão representa um custo político que precisa ser considerado — sobretudo quando a força na capital não encontra correspondência no restante do estado.

A ambição faz parte da política. O erro está em confundir visibilidade com voto assegurado e aprovação municipal com apoio estadual. Para Cícero e outros ex-prefeitos, o resultado deixou uma lição amarga: antes de abandonar um mandato para buscar outro, é preciso medir a distância entre o tamanho do projeto e o alcance real da própria liderança.

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