O ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena, passou o domingo em Campina Grande num roteiro clássico de campanha política: feira livre, aperto de mão, conversa ao pé do ouvido e muita comida oferecida em barraco de comerciante. Ao lado do senador Veneziano Vital e de Diogo Cunha Lima — apontado como possível vice na chapa —, Cícero mergulhou no ambiente popular da Feira da Prata tentando reforçar a conexão com o eleitor campinense.
Entre um corredor e outro da feira, o clima era de política raiz. Teve feirante dizendo “tá eleito”, outro olhando para Diogo e soltando “é a cara do pai”, numa referência inevitável a Cássio Cunha Lima. Houve também quem tentasse demonstrar intimidade antiga com a família: “esse eu vi pequeno, se arrastando pelo chão”. Cícero, experiente nesse tipo de peregrinação eleitoral, entrou no jogo popular sem cerimônia: parou em banca, ouviu pedidos, tirou fotos e aceitou praticamente tudo o que lhe ofereceram para comer — de carne de porco ao que aparecesse pela frente.
Nas redes sociais, o próprio Cícero tratou de transformar o passeio em discurso político. Disse que “na veia do campinense pulsa cultura e trabalho” e definiu a Feira da Prata como um símbolo da história e da força econômica da cidade. Também afirmou que estava ali “ouvindo o povo” e reforçando o compromisso de “fazer Campina voltar a ter o protagonismo que merece”.
Mas a agenda em Campina não ficou apenas no simbolismo eleitoral. Nos bastidores, o assunto que mais repercutiu foi a polêmica envolvendo a chamada Ponte do Futuro. Cícero entrou num terreno delicado ao defender que a obra deve ser concluída, mas questionando se ela representa a prioridade mais urgente da Paraíba neste momento.
Durante entrevista no Sertão, ele afirmou que dará continuidade à ponte e às demais obras estaduais, porém levantou um debate que mexe diretamente com o interior do estado: a necessidade de investimentos hídricos. “Vamos concluir a Ponte do Futuro e todas as obras importantes da Paraíba. Mas precisamos discutir prioridades. O que é mais urgente hoje: uma ponte ou água para matar a sede das pessoas e dos animais no Sertão?”, declarou.
A fala provocou reação de aliados do governo, que tentaram associar a declaração a uma posição contrária à obra. Cícero rebateu dizendo que houve distorção e insistiu que o ponto central da discussão seria o equilíbrio dos investimentos públicos entre o Litoral e o interior.
No meio da caminhada entre bancas, panelas e corredores lotados da feira, Cícero pareceu querer transmitir exatamente essa imagem: um político disposto a conversar com qualquer eleitor, comer do que o povo come e transformar até um pastel de feira em palanque eleitoral.