Censo 2022: mais de 1 milhão de paraibanos vivem em outros estados, principalmente Rio e São Paulo
27/06/2025 18:37
Ascom/IBGE Secom-JP/Arquivo

Entre os estados brasileiros, 29 milhões de pessoas residiam em unidades da federação distintas de seus locais de nascimento, em 2022. São Paulo tinha o maior volume de não naturais residindo em seu território: 8,6 milhões de pessoas. Por outro lado, 2,9 milhões de paulistas moravam em outros estados. Bahia e Minas Gerais foram as unidades da federação que mais perderam naturais ao longo da história, com 3,4 e 3,5 milhões de pessoas, respectivamente, vivendo em estados distintos de seus locais de nascimento.

A Paraíba, por sua vez, tinha 374.286 pessoas residentes não naturais do Estado, enquanto 1,16 milhão de paraibanos residiam em outra Unidade da Federação. Essas informações fazem parte do Censo Demográfico 2022: Fecundidade e migração: Resultados preliminares da amostra, divulgado hoje (27) pelo IBGE.

“Esses padrões refletem tanto processos históricos de redistribuição populacional, quanto dinâmicas econômicas regionais, que impulsionam a atração ou expulsão de fluxos migratórios em diferentes períodos, aliados ao tamanho populacional de cada unidade da federação no total do Brasil”, destaca Marcelo Dantas, analista da divulgação.

Analisando as principais Unidades da Federação de nascimento das pessoas não naturais residentes para os estados do Nordeste, verificou-se que, com exceção do Maranhão, São Paulo está entre as três Unidades da Federação de nascimento mais importantes entre seus residentes não naturais. Os percentuais mais expressivos são observados na Bahia (27,3%), Pernambuco (20,8%) e Ceará (19,1%), Alagoas (19,8%) e Paraíba (14,6%), refletindo um padrão provavelmente associado à migração de naturais do Nordeste que residiram em São Paulo e retornam à sua terra natal, acompanhados por familiares nascidos no estado paulista. Além dos fluxos migratórios históricos entre a região e São Paulo, destacam-se como origem de não naturais as Unidades da Federação da própria região.

As principais origens dos não naturais indicam tanto a influência da proximidade geográfica quanto a relevância de outros fatores econômicos ou sociais na escolha do destino. Esse é o caso da Paraíba, onde os dois principais Estados de origem dos residentes não naturais são Pernambuco, com 42,9%, e Rio Grande do Norte, com 14,6%, tendo este último a mesma proporção dos residentes originários de São Paulo (14,6%).

Considerando os nascidos nos Estados do Nordeste que viviam fora de seus Estados de origem, a pesquisa constatou que eles tiveram como principais destinos os estados de São Paulo e Rio de Janeiro: Pernambuco e Bahia tiveram como principal destino de seus naturais os estados de São Paulo (50,1% e 54,4%, respectivamente), enquanto a Paraíba tinha como principais destinos São Paulo (31,1%) e Rio de Janeiro (23,5%), ficando Pernambuco com proporção bem menor (11,1%). Esse estoque populacional de migrantes nordestinos evidencia um padrão consolidado ao longo das décadas, sustentado por fatores históricos, econômicos e redes sociais que favoreceram esses fluxos.

Em 2022, 3 milhões de pessoas residiam em regiões diferentes daquelas onde viviam em 2017

O Censo também investiga a migração por data fixa, que indaga as pessoas sobre o local de residência exatos cinco anos antes da data de referência da pesquisa. Migrantes foram aqueles que residiam em localidades diferentes nas duas datas, viabilizando medidas de análise migratória como imigração, emigração, saldo migratório e taxa líquida de migração.

O levantamento constatou que, em 2022, 3 milhões de pessoas residiam em Grandes Regiões diferentes daquelas onde viviam em 2017. A região Nordeste recebeu aproximadamente 746 mil imigrantes de outras regiões, enquanto cerca de 995 mil pessoas deixaram essa região nos cinco anos anteriores ao Censo Demográfico de 2022, resultando em um saldo migratório negativo de 249 mil pessoas que, apesar de ser expressivo, representa uma redução forte frente ao saldo negativo de mais de 700 mil pessoas observado no Censo de 2010.

Para o conjunto das Unidades da Federação, observou-se uma relativa estabilidade nos fluxos migratórios. No período de 2005 a 2010, foram registrados 4,6 milhões de deslocamentos entre os estados, enquanto no intervalo de 2017 a 2022, esse contingente alcançou 4,7 milhões indivíduos, um pequeno incremento de 0,3% entre os dois últimos Censos Demográficos.

Paraíba é o único Estado nordestino a apresentar Taxa Líquida de Migração (0,78%), sendo a 6ª maior proporção do país

O saldo migratório representa a migração líquida e continua sendo o conceito predominante na análise dos fluxos populacionais. A partir desse saldo, calcula-se a taxa líquida de migração, que expressa a magnitude da migração em relação à população total observada na data de referência do censo. Quando positiva, essa taxa indica a quanto a população foi acrescida pelo saldo migratório. Por outro lado, quando negativa, revela a parcela da população que foi reduzida devido aos movimentos migratórios.

Entre 2017 e 2022, Santa Catarina apresentou o maior saldo migratório (354 mil pessoas) e a maior taxa líquida de migração (4,66%) à sua população total em 2022, marcando uma mudança histórica, uma vez que São Paulo exibia o maior saldo desde a introdução do quesito de data fixa nos Censos Demográficos de 1991 até 2010. São Paulo apresentou saldo migratório de -90 mil pessoas, com taxa líquida de -0,20%, primeiro resultado negativo desde o início da coleta de migração por data fixa, em 1991, mas segue sendo o principal centro migratório do país.

Entre as unidades da federação do Nordeste, destaca-se a Paraíba, que apresentou Taxa Líquida de Migração de 0,78%, em decorrência de um saldo migratório positivo de 31 mil indivíduos. Esse resultado representa o primeiro saldo positivo observado no Estado desde 1991 e é relevante por ser o único estado na Região a registrar taxa positiva no ano de 2022.

Esse saldo migratório positivo da Paraíba foi impulsionado pelos fluxos oriundos de São Paulo (22,3%) e Rio de Janeiro (20,0%), possivelmente vinculada ao movimento de retorno, assim como de Pernambuco (20,4%), refletindo a interconexão entre os dois estados, especialmente na dinâmica econômica e nas relações de mercado de trabalho.

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