Cenário sucessório na Paraíba embaralha de vez com movimentações de Daniella e aliados de João  Azevêdo
07/06/2025 05:33
Redação ON Reprodução

O clima político da Paraíba esquentou nesta sexta-feira (6), e não foi apenas por causa da agenda oficial de, Geraldo Alckmin (PSB), em Campina Grande. Enquanto o vice-presidente da República falava sobre energias renováveis e estímulos econômicos para o estado, os bastidores fervilhavam com acenos e articulações que embaralharam ainda mais o já conturbado tabuleiro da sucessão estadual de 2026.

A principal novidade veio da senadora Daniella Ribeiro (Progressistas), durante evento em Campina. Em um gesto que pode redesenhar os rumos da disputa, ela afirmou que não será candidata à reeleição ao Senado caso seu filho, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), entre na disputa pelo Governo do Estado. “Não vai haver a possibilidade de ter Lucas candidato e Daniella candidata em uma mesma chapa, em um mesmo momento. Isso eu deixo muito claro”, disse ela. A sinalização é interpretada como um gesto direto ao governador João Azevêdo (PSB), que avalia renunciar ao cargo em abril para concorrer justamente ao Senado.

O movimento de Daniella pode facilitar a decisão de Azevêdo, que resiste à ideia de sair do governo, mesmo após apelo direto do presidente Lula, que gostaria de vê-lo no Congresso como forma de barrar o avanço da direita em uma das vagas ao Senado.

Enquanto isso, Cícero Lucena (PP), prefeito de João Pessoa, acelera sua própria pré-campanha, mesmo sem oficialmente assumi-la. Nesta sexta, ele acompanhou Alckmin na sede da FIEP em Campina Grande e, na sequência, partiu para Serra Branca e Ouro Velho, ao lado do governador, prestigiando eventos do Orçamento Democrático e os festejos juninos. No fim de semana, a maratona continua, com passagens previstas por pelo menos seis cidades. A desenvoltura e o ritmo de Cícero fazem dele, hoje, o nome mais competitivo dentro do campo governista — e os números das pesquisas reforçam essa percepção.

Do outro lado do xadrez político, o grupo do Republicanos pressiona por protagonismo. O deputado Adriano Galdino, presidente da Assembleia Legislativa, já sinalizou que poderá romper com o grupo caso se sinta “menor” ou alijado da decisão sobre a cabeça da chapa. A tensão é crescente, e as declarações públicas evidenciam que qualquer movimento em falso pode custar alianças.

Com tantos atores em cena, e com o tempo político correndo, o governador João Azevêdo mantém o silêncio estratégico. Mas os fatos desta sexta o colocam em uma “saia justa”: Daniella facilitou sua saída, Cícero avança como favorito, e Galdino ameaça sair do jogo. Em outras palavras, o clima da sucessão está oficialmente embaralhado — e qualquer passo a partir de agora pode redefinir o futuro político da Paraíba.

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