Cenário político embaralhado na Paraíba: MDB, PT e PSB em rota de colisão e conciliação
11/10/2025 05:35
Redação ON Reprodução

O tabuleiro político da Paraíba entrou em fase de embaralhamento intenso. A movimentação recente do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, rumo ao MDB — partido do senador Veneziano Vital do Rêgo — colocou em xeque antigas alianças e gerou desconforto no entorno do governador João Azevêdo (PSB). Isso porque a aproximação do MDB com o PT nacional, que mantém diálogo direto com o presidente Lula, reacendeu especulações sobre uma possível simpatia do petismo à eventual candidatura de Cícero ao governo em 2026.

A hipótese de apoio do PT ao prefeito de João Pessoa, mesmo que ainda embrionária, caiu como um balde de água fria em setores da base governista. João Azevêdo, filiado ao PSB — o mesmo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin —, sempre desfrutou de boa relação com o Palácio do Planalto. Em várias ocasiões, tanto em Brasília quanto em João Pessoa, Lula e João demonstraram afinidade política e respeito mútuo. Ainda assim, a movimentação de Cícero junto ao MDB despertou um evidente incômodo no grupo socialista, que passou a monitorar de perto os próximos passos dessa articulação.

A presidente estadual do PT, deputada Cida Ramos, tentou colocar panos quentes. Em entrevista recente ao Portal WSCOM, Cida afirmou que o partido “não causou nem alimentou” a cisão que afastou Cícero Lucena do campo governista. Ela assegurou que o PT “é um partido que abre janelas”, disposto ao diálogo com todos os setores, e que a aproximação com Cícero não representa, necessariamente, uma adesão formal. Segundo Cida, o PT da Paraíba segue alinhado ao projeto nacional e mantém relação natural com o PSB, dado que Azevêdo integra a mesma legenda do vice-presidente Alckmin.

Mas o clima de indefinição não para por aí. Cícero tem insistido em um discurso de “continuidade” ao governo de João Azevêdo, mesmo sendo agora apontado como nome da oposição. A postura dividiu opiniões. O senador Veneziano Vital, aliado e anfitrião de Cícero no MDB, elogiou a fala, classificando-a como gesto de grandeza e gratidão: “O que Cícero faz é demonstrar reconhecimento pelas parcerias que firmou com João. Não é amargura, é respeito”, disse o emedebista.

O ex-deputado Pedro Cunha Lima, por outro lado, reagiu mal. Em entrevista à TV Arapuan, afirmou: “Não conte comigo se for para manter discurso de continuidade do governo João”. Pedro, que sustenta sua própria pré-candidatura ao governo, defende uma oposição mais clara e já vinha sendo cortejado por Cícero e Efraim Filho (União Brasil) para compor uma frente conjunta contra o PSB.

Entre acenos, mágoas e reconciliações provisórias, o cenário político da Paraíba se mostra cada vez mais nebuloso. O eleitor observa de longe o embaralhamento das peças — e ainda não é possível saber quando essa poeira vai assentar.

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