domingo, 1 de fevereiro de 2026
Celebração das Letras marca os 133 anos do jornal A União e os 3 anos da livraria
01/02/2026 10:06
Redação ON Reprodução

A Paraíba chega a um marco simbólico e raro no cenário da imprensa brasileira. O jornal A União completa 133 anos de circulação como o único jornal impresso em atividade no estado. Todos os demais diários que fizeram história no papel encerraram suas edições há mais de uma década. O Norte, Correio da Paraíba, Jornal da Paraíba e Diário da Borborema sucumbiram às transformações do mercado, à crise do modelo impresso e à migração definitiva para o ambiente digital.

A União resistiu. Mantido pelo Governo do Estado, o jornal atravessou impérios, repúblicas, golpes, redemocratizações e revoluções tecnológicas sem interromper sua circulação. Tornou-se, assim, não apenas um veículo de comunicação, mas um patrimônio simbólico da memória paraibana, guardião da história política, social e cultural do estado.

Essa trajetória será celebrada nesta segunda-feira (2/2), às 18, no Espaço Cultural, durante a Celebração das Letras, evento promovido pela Empresa Paraibana de Comunicação, que também marca os três anos da Livraria A União. O encontro reforça o elo entre jornalismo, literatura e cultura, pilares que sustentam a identidade do jornal desde sua fundação.

Criada como uma extensão viva desse legado, a Livraria A União consolidou-se rapidamente como um espaço dedicado ao lançamento de livros, debates, encontros e circulação de ideias. Mais do que um ponto de venda, transformou-se em um recanto de convivência intelectual, reunindo escritores, leitores, jornalistas e artistas, e reafirmando o papel da palavra escrita como instrumento de formação e permanência cultural na Paraíba.

A celebração, portanto, vai além da data. É um gesto de afirmação da imprensa, da literatura e da memória coletiva em um tempo marcado pela velocidade e pela efemeridade da informação.

Uma viagem no tempo 

O texto a seguir é um artigo publicado anos atrás no próprio Jornal A União, assinado pelo consagrado cronista Gonzaga Rodrigues. Referência da crônica paraibana, Gonzaga é atualmente colunista do portal O Norte Online, onde publica crônicas todas as quartas-feiras. No artigo, ele revisita o contexto histórico do surgimento do jornal e sua importância na formação política e cultural da Paraíba.

  • Por Gonzaga Rodrigues


O jornal A União nasceu, na Paraíba, como instrumento de conciliação política de suas lideranças após o golpe militar, sob a bandeira da República que extinguia o ex-Império destronado, com o embarque melancólico de uma das presenças mais veneráveis da história brasileira, o sr. D. Pedro de Alcântara.

Uma coisa é ler no estilo objetivo da História, que pretende ser científica, cena como o embarque dos exilados imperiais; outra, bem diferente, é assistir a esse embarque na crônica de conotação afetiva de Raul Pompéia, um dos testemunhos mais pungentes dessa madrugada que some na penumbra dos tempos.    

Como o texto iniciava, A União surgiu na tentativa de viabilizar a convivência entre as ambições políticas deflagradas com a mudança de regime e atiçadas com a sucessão de golpes iniciados a partir de 15 de novembro. Golpe no regime monárquico, golpe no Congresso recém instalado, golpe de Floriano sobre o golpe de Deodoro. E golpes locais a cada composição de governo de que se cogitasse ou que se conseguia formar.

Funda-se o jornal na pretensão de harmonizar as diversas correntes que disputavam, historicamente, a concentração da riqueza e do poder e cujos atores mudavam, a partir daí, de barões para coronéis.

Atribuía-se à imprensa poderes suficientes para isto. Para o bem ou para o mal, era a única tribuna para onde confluíam todas as informações e opiniões. Fora da imprensa, era o boato ou o púlpito, este um privilégio da Igreja.

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