O deputado estadual Luciano Cartaxo anunciou neste sábado (4) sua saída do Partido dos Trabalhadores para se filiar ao Republicanos, movimento que vai muito além de uma simples mudança partidária. A decisão recoloca o parlamentar em uma trajetória já conhecida de mudanças de rumo político — e reforça um padrão que marca sua carreira.
Na prática, é a segunda vez que Cartaxo deixa o PT. E não se trata de um detalhe menor. Foi pelo partido que ele construiu sua principal vitrine eleitoral, ao se eleger prefeito de João Pessoa em 2012, em uma vitória expressiva sobre Cícero Lucena. À frente da Prefeitura, governou por quase três anos antes de abandonar a legenda em 2015, em meio ao desgaste nacional provocado pela crise política e pela Operação Lava Jato.
Naquele momento, a saída teve justificativa clara: reduzir o impacto da rejeição ao PT e viabilizar a reeleição, o que acabou se confirmando. Cartaxo migrou para o PSD, partido liderado nacionalmente por Gilberto Kassab, depois passou pelo PV e, anos mais tarde, refez o caminho de volta ao PT, legenda pela qual disputou novamente a Prefeitura em 2024.
Agora, ao trocar o PT pelo Republicanos, o deputado promove um novo giro político — talvez o mais simbólico deles. Isso porque a mudança representa também uma inflexão ideológica, ao sair de um partido historicamente identificado com a esquerda para ingressar em uma legenda de centro-direita, ligada nacionalmente à Igreja Universal do Reino de Deus.
Na nota divulgada, Cartaxo evita o tom ideológico e aposta em um discurso mais pragmático. Afirma que a decisão é “guiada pelo compromisso com o trabalho” e destaca o Republicanos como um partido de “equilíbrio, responsabilidade e capacidade de construir soluções reais”. Também faz questão de manter pontes com o passado recente: agradece ao PT e reafirma apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O movimento, portanto, não rompe completamente com sua identidade política anterior, mas amplia seu campo de atuação — ao menos no discurso. Ao falar em “construir pontes” e “unir forças”, Cartaxo sinaliza que a prioridade está menos na coerência ideológica e mais na viabilidade eleitoral.
Nos bastidores, a leitura é direta: trata-se de uma estratégia de sobrevivência política. O Republicanos, comandado na Paraíba por nomes como Adriano Galdino e Hugo Motta, oferece estrutura, capilaridade e melhores condições para a disputa da reeleição em 2026.
A trajetória recente de Cartaxo ajuda a entender o movimento atual. Não é um rompimento isolado, mas parte de um padrão. Saiu do PT em 2015, circulou por outras legendas, voltou em 2021 e agora volta a sair. Mais do que uma mudança de partido, o que se vê é uma estratégia recorrente de reposicionamento.
No fim das contas, Cartaxo parece seguir uma lógica clara: adaptar-se ao ambiente político de cada momento para manter espaço e competitividade. E, mais uma vez, escolheu mudar de rota para continuar no jogo.
