O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu oficialmente a uma carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aproveitou o documento para reafirmar posições do governo americano em temas sensíveis da relação bilateral. A correspondência, datada de 23 de junho de 2026, trata da disputa comercial entre os dois países, da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e faz referência ao cenário político das eleições presidenciais no Brasil.
Na carta, Rubio reafirma que a administração do presidente Donald Trump mantém a proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação comercial iniciada em julho de 2025. Segundo o secretário, persistem “diferenças substanciais” entre os dois governos quanto às práticas comerciais adotadas pelo Brasil.
Entre os pontos de divergência citados estão tarifas consideradas preferenciais, barreiras ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, questões relacionadas ao desmatamento ilegal e à proteção da propriedade intelectual. Rubio lembra ainda que uma audiência pública marcada para 6 de julho permitirá que empresas, entidades e governos apresentem manifestações antes da decisão final sobre as medidas comerciais.
Outro tema abordado é a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Rubio agradece o apoio manifestado por Flávio Bolsonaro e afirma que a medida busca enfraquecer as redes financeiras, de tráfico de drogas e de armas das facções, em defesa da segurança de brasileiros e norte-americanos.
No início da correspondência, o secretário também agradece a visita recente do senador a Washington e destaca a importância da parceria entre os dois países, baseada em valores compartilhados e cooperação para a segurança e a prosperidade do hemisfério.
A carta revela ainda que Flávio Bolsonaro comunicou ao governo americano seu otimismo em relação às eleições presidenciais de outubro e informou que uma eventual equipe de transição estaria à disposição para manter interlocução com os Estados Unidos caso seja eleito presidente. Na resposta, Rubio afirma que o governo americano está preparado para trabalhar com os líderes que vierem a ser escolhidos pelo povo brasileiro, buscando ampliar os investimentos e a cooperação entre os dois países.
