Desde o início do segundo semestre de 2025, as pesquisas eleitorais na Paraíba mantêm um desenho relativamente estável: o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, aparece na liderança na disputa pelo governo do Estado, enquanto o vice-governador Lucas Ribeiro, candidato do grupo governista e nome indicado por João Azevêdo, surge de forma recorrente em segundo lugar.
Esse cenário, porém, começou a ganhar novas camadas nos últimos dias, a partir de declarações que, pela coincidência de conteúdo e de momento, dificilmente podem ser vistas como fortuitas. Em entrevista a um podcast de Campina Grande, o ex-prefeito e ex-deputado Enivaldo Ribeiro, avô de Lucas Ribeiro, afirmou que o neto vem crescendo e que tende a avançar ainda mais quando assumir o governo, após a desincompatibilização de João Azevêdo. Pouco depois, o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, fez avaliações públicas que caminham na mesma direção.
O ponto central dessa leitura é a mudança de posição institucional que deve ocorrer no segundo semestre. Lucas Ribeiro passará a ocupar o cargo de governador, com toda a visibilidade política, administrativa e simbólica que isso representa. Cícero Lucena, por outro lado, ao se desincompatibilizar da Prefeitura de João Pessoa, deixará o posto que hoje lhe garante presença diária no noticiário e protagonismo administrativo.
A avaliação feita por Enivaldo Ribeiro segue uma lógica conhecida da política brasileira: quem governa tende a crescer. A chamada caneta na mão amplia a capacidade de agenda, dá centralidade às ações de governo e transforma decisões administrativas em discurso político. Ao mesmo tempo, sair do Executivo municipal, ainda que seja um movimento natural de quem disputa outro cargo, reduz a exposição institucional.
Quando essa leitura é reforçada por Adriano Galdino, ela deixa de ser apenas uma opinião familiar ou circunstancial e passa a refletir uma expectativa real do grupo governista. A aposta é clara: a eleição não estaria decidida agora, mas sim no momento em que os papéis se inverterem e o centro do poder estadual mudar de endereço.
O governismo, portanto, trabalha com a ideia de que a liderança atual de Cícero Lucena pode ser circunstancial e que o jogo tende a ficar mais equilibrado quando Lucas Ribeiro assumir o comando do Estado. Não se trata de uma certeza, mas de uma estratégia: transformar o exercício do governo em ativo político no momento decisivo da disputa.
Se essa aposta vai se confirmar, só o tempo dirá. O que já está claro é que, para o grupo governista, a eleição de 2026 passa menos pelo retrato das pesquisas de hoje e mais pelo impacto que a caneta na mão pode ter amanhã.