Uma informação que circulou com força nesta segunda-feira colocou em dúvida a possível candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao Governo da Paraíba em 2026. A tese, no entanto, soa como um contrassenso diante dos fatos políticos já consolidados nos bastidores e nas pesquisas eleitorais.
Desde que o debate sucessório começou a ganhar corpo, Cícero aparece como um dos nomes mais competitivos, liderando levantamentos e consolidando uma posição de protagonismo no cenário estadual. Mais do que isso, tomou uma decisão política de alto risco ao se afastar do grupo do governo estadual — o mesmo grupo que foi decisivo para sua retomada de relevância política. Não foi um movimento casual, tampouco improvisado.
A ruptura foi interpretada, desde o início, como um gesto calculado, com destino definido. Cícero sabia o custo e, principalmente, o objetivo. Por isso, a ideia de que ele poderia recuar agora não encontra sustentação lógica no histórico recente.
A informação desta segunda-feira foi rapidamente rebatida por aliados próximos, que trataram de minimizar qualquer possibilidade de desistência. Ainda assim, o episódio ganhou um ingrediente relevante com a fala do vice-prefeito Léo Bezerra, que adotou um tom cauteloso, sem cravar qual será o desfecho.
“Eu sempre tive cuidado em todas as minhas palavras. O pensamento de hoje pode não ser o de amanhã, então eu respeito as pessoas. Essa é uma decisão que não cabe a mim dizer se ele sai ou se ele não sai. Cabe a ele. Estou com o coração muito tranquilo, esperando a decisão dele. Se for da vontade dele ficar, a gente vai estar junto trabalhando por João Pessoa. Se for da vontade dele colocar seu nome na pré-candidatura e na candidatura, eu vou estar pronto para seguir o ritmo da nossa gestão.”
A declaração, marcada pela cautela, acabou sendo interpretada por alguns como sinal de indefinição. Mas, na prática, reflete muito mais o estilo pessoal do vice-prefeito do que qualquer mudança concreta no cenário político.
Nos bastidores, o que se vê é o oposto do que tentaram sugerir: um projeto em construção, com movimentos já feitos e dificilmente reversíveis. Em política, recuos existem. Mas, neste caso, tudo indica que o rumo já foi escolhido — e não é o da desistência.