domingo, 15 de fevereiro de 2026
Cabo Gilberto vice de Flávio Bolsonaro? O devaneio generoso de Queiroga que briga com a realidade
15/02/2026 05:36
Redação ON Reprodução

No fervor do cenário político paraibano, as declarações do ex-ministro Marcelo Queiroga costumam carregar o peso de quem transitou pelos corredores mais influentes de Brasília. No entanto, sua recente fala sugerindo o nome do deputado federal Cabo Gilberto Silva para compor a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) em 2026 soa menos como uma articulação de bastidor e mais como um devaneio generoso — ou, para os mais céticos, um elogio gratuito que ignora a lógica das pedras no tabuleiro nacional.

Ninguém questiona a ascensão do Cabo Gilberto. O parlamentar consolidou-se como a principal voz do bolsonarismo na Paraíba e, ao assumir a liderança da oposição na Câmara Federal em 2026, provou ter musculatura política e trânsito no Congresso. Mas, entre liderar a oposição no Legislativo e ocupar a vaga de vice em uma chapa presidencial, existe um abismo de estratégia eleitoral que Queiroga parece ter ignorado ao “brincar com a inflamação” do entusiasmo militante.

A fila é longa (e pesada)

A verdade nua e crua é que a chapa de Flávio Bolsonaro, herdeiro político do espólio de Jair Bolsonaro, busca algo que o Cabo Gilberto, apesar de seus méritos, não oferece no contexto da disputa majoritária federal: complementaridade de votos.

Para vencer uma eleição presidencial contra a máquina do atual governo, o PL precisa de nomes que furem a bolha do conservadorismo raiz e atraiam o “centro” ou grandes colégios eleitorais. Hoje, a lista de prioridades em Brasília coloca o paraibano em uma fila onde nomes com densidade executiva e regional ocupam as primeiras cadeiras.

* Tereza Cristina (PP): Traz consigo o PIB do agronegócio e uma moderação técnica que Flávio precisa para mitigar resistências no eleitorado feminino e moderado.

* Romeu Zema (Novo) ou Ratinho Júnior (PSD): Entregam as chaves de Minas Gerais e Paraná, estados decisivos onde a eleição nacional é, historicamente, ganha ou perdida.

O lugar do Cabo Gilberto

Colocar o Cabo Gilberto como “cotado” para a vice-presidência é, no fundo, um desserviço ao próprio deputado. Gilberto tem um papel fundamental na Paraíba e na liderança da oposição, onde sua atuação é real, tangível e necessária para o partido. Tentar “puxá-lo” para uma vice-presidência nacional, neste momento, parece mais uma tentativa de Queiroga de afagar um aliado local do que uma leitura séria da realpolitik brasileira.

Marcelo Queiroga, ao lançar tal ideia, cria uma expectativa que dificilmente será entregue pela cúpula nacional do PL, que hoje prioriza alianças com o Centrão e nomes com apelo executivo em grandes estados do Sudeste e Sul.

Na política, a gratidão é nobre, mas o realismo é o que define a vitória. O Cabo Gilberto é, sem dúvida, um líder. Mas, no tabuleiro de 2026, cada peça tem o seu lugar. Na política, o elogio que não se sustenta nos fatos acaba por expor mais quem o profere do que quem o recebe. O Cabo Gilberto tem seu valor, mas o tabuleiro de 2026 joga xadrez, não damas.

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