A eleição suplementar que vai definir o novo prefeito de Cabedelo, marcada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba para o dia 12 de abril de 2026, já se transformou em um dos episódios políticos mais movimentados e sensíveis do estado. O pleito ocorre após a cassação definitiva dos mandatos do prefeito eleito em 2024, André Coutinho, e da vice, Camila Holanda, condenados por abuso de poder político e condutas vedadas.
Mesmo com as convenções partidárias previstas apenas para o período entre 29 de janeiro e 14 de fevereiro de 2026, o cenário pré-eleitoral está longe da calmaria. A cidade vive uma intensa movimentação de bastidores, com reuniões reservadas, articulações cruzadas e declarações públicas que antecipam uma disputa dura em um dos municípios mais estratégicos da Paraíba.
Os primeiros nomes
O primeiro nome a entrar oficialmente no jogo foi Wallber Virgolino. O PL fechou questão em torno da sua pré-candidatura ainda em dezembro de 2025, garantindo a ele estrutura partidária e apoio político já declarado, o que o coloca em posição de largada na corrida eleitoral.
Outro nome que circula com força nas conversas políticas é o de Ricardo Barbosa, ligado ao PSB. Ele aparece como alternativa para grupos que defendem uma candidatura mais ampla, capaz de reunir forças hoje fragmentadas no cenário local.
Mesmo fora do cargo, André Coutinho segue ativo politicamente. Cassado, ele mantém presença em reuniões e articulações, tentando influenciar a formação de um grupo ou a escolha de um nome que represente seu campo político. Sua participação direta como candidato, no entanto, ainda depende de definições jurídicas sobre eventual inelegibilidade.
Na linha sucessória, o prefeito interino Edvaldo Neto também surge naturalmente como possível candidato. No comando da prefeitura desde a cassação, ele ganhou visibilidade e passou a ser observado como uma peça relevante no tabuleiro eleitoral, tanto por aliados quanto por adversários.
Mas um fato inusitado marcou o período natalino: três figuras políticas de partidos absolutamente distintos sentaram à mesa para discutir o cenário eleitoral local, em uma reunião que chamou atenção mais pelo simbolismo do que por anúncios concretos. O encontro reuniu o deputado estadual Walber Virgolino (PL), o ex-prefeito cassado André Coutinho (Avante) e Ricardo Barbosa (PSB), combinação pouco usual no tabuleiro político e que, embora não represente qualquer definição formal, alimenta especulações

Mersinho no páreo?
O elemento mais novo e politicamente mais delicado surgiu nos últimos dias. O deputado federal Mersinho Lucena admitiu publicamente que não descarta colocar seu nome à disposição para disputar a prefeitura de Cabedelo. A declaração foi feita pelo próprio parlamentar, que fez questão de frisar que sua prioridade segue sendo a reeleição para a Câmara dos Deputados, mas reconheceu que a possibilidade existe.
A fala teve impacto imediato. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, pai de Mersinho e hoje apontado como principal pré-candidato ao governo da Paraíba em 2026, tratou de minimizar a hipótese. Ainda assim, o fato político está posto: a ideia partiu do próprio deputado, mesmo sabendo que enfrenta resistência interna e que a movimentação pode gerar ruídos em um projeto estadual mais amplo.
Cabedelo, afinal, não é um prêmio secundário. Com população estimada em cerca de 70 mil habitantes e mais de 54 mil eleitores aptos, o município possui um dos melhores indicadores econômicos da Paraíba. O PIB per capita gira em torno de R$ 45 mil, mais que o dobro da média estadual, impulsionado por bairros de alto padrão, forte mercado imobiliário, turismo consolidado e pela presença estratégica do Porto de Cabedelo.
Trata-se de um colégio eleitoral compacto, urbano e politicamente atento, frequentemente visto como termômetro para a Grande João Pessoa e até para o cenário estadual. Não por acaso, Cabedelo figura entre a terceira e a quarta maior economia do estado e integra o grupo restrito de municípios responsáveis por mais da metade do PIB paraibano.
Um teste de força
Com esse peso político, econômico e simbólico, a eleição suplementar deixa de ser apenas uma correção institucional e passa a ser um teste de força entre projetos, grupos e lideranças. Até abril de 2026, Cabedelo seguirá no centro do debate, exposta a uma disputa que mistura ambições locais, estratégias estaduais e movimentos que podem repercutir A eleição suplementar que vai definir o novo prefeito de Cabedelo, marcada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba para o dia 12 de abril de 2026, já se transformou em um dos episódios políticos mais movimentados e sensíveis do estado. O pleito ocorre após a cassação definitiva dos mandatos do prefeito eleito em 2024, André Coutinho, e da vice, Camila Holanda, condenados por abuso de poder político e condutas vedadas.