O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, ultrapassou todos os limites ao responder se poderia se filiar ao PT. “Dependeria só de Lula, porque o PT local não manda em porra nenhuma”, disparou. Uma fala grave em qualquer circunstância, mas ainda mais grave quando pronunciada por quem ocupa a cadeira máxima da Casa legislativa. Galdino, depois da repercussão negativa, tentou recuar dizendo que tudo não passou de uma “brincadeira”. A emenda, no entanto, foi pior que o soneto: a fala segue soando como imperdoável.
A presidente estadual do PT, deputada Cida Ramos, reagiu imediatamente em nota oficial, classificando a declaração como agressiva e desrespeitosa. Para ela, Galdino “mostra que entende muito pouco de PT e de Lula” e cometeu um erro grave ao subestimar a militância. “Não parece coerente. Pelo contrário, desgasta e gera conflitos com quem realmente está com Lula, em defesa da democracia e contra a impunidade na política”, afirmou.
O episódio acontece justamente em meio a uma movimentação intensa no tabuleiro político paraibano. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, surpreendeu ao aparecer em Brasília ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, gesto interpretado como ensaio de aliança para 2026. A visita, porém, soou como atropelo das instâncias locais do partido, deixando Cida Ramos em situação delicada. Ela passou o dia atendendo ligações de lideranças nacionais — Edinho, Lindbergh Farias e até José Dirceu fizeram contato, preocupados com a repercussão. Mais tarde, o próprio Cícero ligou para Cida em busca de amenizar o desconforto, ouvindo da deputada que o PT da Paraíba precisa ser respeitado e não pode ser tratado como “balcão de apoio”.
Esse novo ritmo imposto por Cida à frente do PT estadual levanta uma questão central: qual será o posicionamento do ex-governador Ricardo Coutinho em 2026? Nome forte para disputar uma cadeira de deputado federal, Ricardo mantém relação litigiosa com João Azevêdo, a quem ajudou a eleger. A incógnita é: em que palanque ele pretende subir? No de João, no de Cícero ou no de Galdino?
A tendência, a preço de hoje, é de que o PT siga alinhado ao grupo de João Azevêdo, reforçado pela afinidade do governador com o presidente Lula. Mas a legenda está sendo cortejada em várias frentes, e cada passo dado — ou mal dado, como a “brincadeira” de Adriano Galdino — pode alterar o equilíbrio desse tabuleiro político que já começa a se movimentar para 2026.