Um alerta publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo colocou o Banco de Brasília (BRB) no centro de uma crise que ultrapassa os limites do Distrito Federal e passa a interessar diretamente aos estados onde a instituição vem ampliando sua atuação, entre eles a Paraíba. A reportagem, assinada pela jornalista Roseann Kennedy, aponta que o Banco Central ainda calcula o tamanho do impacto financeiro provocado pelas operações do BRB envolvendo o banco Master, um caso que já ganhou dimensão nacional.
Segundo o jornal, além de uma auditoria contratada pelo próprio banco, o episódio está sob análise direta do Banco Central, regulador do sistema financeiro. O foco da apuração é a solidez patrimonial do BRB diante de um projeto ambicioso de expansão nacional, impulsionado politicamente pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. De acordo com o Estadão, esse projeto não se sustentava em bases financeiras sólidas, o que agora expõe o banco público a riscos relevantes.
As informações reunidas na reportagem indicam que a exposição do BRB em operações ligadas ao caso Master pode envolver cifras bilionárias. Estimativas mencionadas em análises de mercado e em decisões judiciais apontam que ativos problemáticos e operações questionadas podem ultrapassar a casa dos R$ 10 bilhões, embora o valor final ainda dependa do fechamento das auditorias e das conclusões técnicas do Banco Central. Há, inclusive, a possibilidade de que o governo do Distrito Federal precise realizar um aporte de recursos públicos para recompor o capital do banco, com projeções preliminares citando valores de alguns bilhões de reais.
Esse cenário ganha peso especial para a Paraíba porque o BRB deixou de ser um banco restrito a Brasília. Nos últimos anos, a instituição avançou para diversos estados, ampliou sua presença física e digital e passou a ocupar espaço relevante também no território paraibano, com unidades de atendimento, gestão de folhas de pagamento e planos declarados de expansão para outras cidades do estado. Na foto em destaque, a agência BRB em Tambaú).
O Estadão lembra que parte dessa expansão foi impulsionada por iniciativas de grande visibilidade, como o patrocínio à camisa do Flamengo, estratégia que projetou a marca do banco em escala nacional. A aposta, no entanto, passou a ser alvo de críticas por misturar interesses institucionais, políticos e simbólicos, além de ter ampliado a exposição do BRB a riscos fora do seu escopo tradicional como banco regional.
Embora o foco principal da investigação esteja nas decisões tomadas no Distrito Federal, o escândalo já extrapolou os limites de Brasília. Caso o Banco Central avance para medidas mais duras, como restrições operacionais ou, em um cenário extremo, intervenção, os efeitos tendem a atingir todas as regiões onde o BRB atua, inclusive a Paraíba. Isso não significa, neste momento, interrupção de serviços ou prejuízo direto aos clientes, mas reforça a necessidade de atenção ao contexto.
Ao trazer esse debate para o leitor paraibano, o alerta não é de pânico, mas de informação. A presença crescente do BRB na Paraíba dá relevância direta ao tema. O que está em jogo, como aponta o Estadão, é o futuro de um projeto de expansão nacional que cresceu rapidamente e que agora enfrenta seu momento mais delicado, sob o olhar atento do Banco Central.
Nota à redação
Em Nota publicada no Jornal de Brasília, parceiro de O Norte Online, o BRB informa que “trabalha diariamente em conjunto com o Banco Central e esclarece que todas as operações mencionadas no âmbito da Operação Compliance Zero, que possam estar relacionadas ao Banco, estão incluídas na investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll.”
A instituição reforça seu compromisso com a transparência, a governança e o cumprimento das normas do sistema financeiro, colaborando integralmente com as autoridades competentes.