quinta-feira, 23 de abril de 2026
Brasil tira credencial de agente americano em gesto de reciprocidade
22/04/2026 15:02
Redação ON Reprodução

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo com a decisão da Polícia Federal de retirar as credenciais de um servidor americano que atuava no país. A medida foi confirmada pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ocorre como resposta à expulsão do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano.

Segundo Rodrigues, a decisão foi tomada com base no princípio da reciprocidade e, embora tenha sido adotada com cautela, reflete a necessidade de uma reação institucional diante da falta de explicações formais por parte do governo dos Estados Unidos.

O caso ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar, durante viagem à Alemanha, que o Brasil não aceitaria qualquer tipo de ingerência externa. Ele indicou que, caso fosse confirmado abuso por parte das autoridades americanas, o país responderia na mesma proporção.

Marcelo Ivo de Carvalho foi retirado dos Estados Unidos após participar de uma operação que resultou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em solo americano. A ação contou com a colaboração de autoridades de imigração dos Estados Unidos, mas terminou cercada de controvérsia. Ramagem acabou sendo liberado dois dias depois.

As autoridades americanas justificaram a expulsão do delegado com uma acusação genérica de tentativa de burlar procedimentos formais de extradição, sem citar nomes diretamente. Até o momento, o governo brasileiro afirma não ter recebido qualquer comunicação oficial detalhando os motivos da decisão.

Diante do episódio, a Polícia Federal determinou o retorno imediato de Marcelo Ivo ao Brasil. A orientação, segundo Andrei Rodrigues, é reunir informações para entender se houve abertura de algum procedimento formal em órgãos como o Departamento de Estado ou estruturas ligadas à imigração.

O pano de fundo do caso envolve a situação jurídica de Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de ruptura institucional. Considerado foragido, ele deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana e seguiu para os Estados Unidos, onde permanece desde então.

Enquanto o Itamaraty mantém diálogo com autoridades americanas, o governo brasileiro evita medidas mais duras neste momento. Ainda assim, a retirada das credenciais do agente estrangeiro sinaliza que o episódio elevou o nível de tensão entre os dois países e pode ter desdobramentos diplomáticos mais amplos.

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