João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Brasil recebe apoio de Rússia, China, Índia, UE e Canadá contra tarifaço de Trump na OMC
23/07/2025 09:43
Redação ON Reprodução

O Brasil conquistou um raro consenso diplomático ao receber, nesta quarta-feira (23), o apoio de cerca de 40 países — entre eles Rússia, China, Índia, União Europeia e Canadá — contra as tarifas comerciais impostas pelo governo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. O embate ocorreu durante a principal reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.

A informação foi publicada pelo colunista Jamil Chade, do portal UOL, e confirmada por fontes diplomáticas. Segundo ele, o discurso brasileiro, conduzido pelo embaixador Philip Fox-Drummond Gough, provocou forte repercussão entre os países-membros da OMC e expôs o crescente desconforto internacional com a política comercial dos EUA.

Sem citar diretamente Trump, o representante do Itamaraty fez duras críticas ao uso de tarifas de forma “arbitrária e caótica”, classificando a prática como uma ameaça ao sistema multilateral de comércio. “Estamos testemunhando um ataque sem precedentes ao Sistema de Comércio Multilateral e à credibilidade da OMC”, afirmou Gough. “Tarifas arbitrárias estão desestruturando as cadeias globais de valor e correm o risco de lançar a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação.”

A diplomacia americana rebateu, acusando os demais países de descumprirem as regras internacionais e justificando que as medidas adotadas por Trump visariam “reverter a situação” de desequilíbrio comercial. Mas o Brasil insistiu que tais ações violam pilares centrais da OMC, como a não discriminação e o tratamento de nação mais favorecida, além de desrespeitarem décadas de negociações dentro do GATT e da própria organização.

O Itamaraty foi além, alertando que as tarifas estariam sendo utilizadas, agora, como forma de ingerência em assuntos internos de países soberanos. “Estamos testemunhando uma mudança extremamente perigosa rumo ao uso de tarifas como ferramenta para interferência política”, advertiu o diplomata.

Apesar da gravidade das acusações, o governo brasileiro reafirmou seu compromisso com o diálogo e a diplomacia, mas deixou claro que poderá recorrer aos instrumentos legais da OMC se necessário. “Defenderemos nossa economia e nosso povo com todos os meios disponíveis, inclusive por meio do sistema de solução de controvérsias da organização”, disse Gough.

Por fim, o Brasil reforçou a necessidade de recuperar a OMC como fórum legítimo para resolução de disputas comerciais e reiterou sua defesa do multilateralismo como alternativa às disputas baseadas em força política. “Negociações baseadas em jogos de poder são um atalho perigoso para a instabilidade e a guerra”, concluiu o embaixador.

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