João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Brasil perde, torcida pede Neymar e pressão aumenta sobre a seleção
26/03/2026 19:08
Redação ON Reprodução

A derrota do Brasil para a França expôs um roteiro que mistura limitações evidentes e sinais interessantes para o futuro. No primeiro tempo, a seleção foi tímida, pouco agressiva e com dificuldades claras de criação. O cenário começou a mudar na etapa final, especialmente com a entrada de Luiz Henrique, que deu mais profundidade e dinamismo ao ataque. Mesmo depois da expulsão de um jogador francês, o Brasil passou a pressionar, ocupando o campo ofensivo e empurrando o adversário para trás. Mas, no melhor momento brasileiro, veio o castigo: em um contra-ataque bem executado, a França fez 2 a 0, mas o Brasil não se entregou. Com a impetuosidade de Luiz Henrique, partiu para o ataque, diminuiu o placar com Bremer e mostrou muita garra em campo. Vini Jr perdeu gol nos acréscimos, chegando atrasado dentro da área.

Entretanto, a derrota teve um efeito imediato nas arquibancadas. A torcida, majoritariamente vestida de amarelo, sentiu o golpe e rapidamente mudou o tom do apoio. O que se ouviu, de forma crescente, foi o coro por Neymar. O grito não foi isolado nem casual. Ele traduz uma insatisfação e, mais do que isso, projeta uma pressão que tende a acompanhar a comissão técnica até a Copa do Mundo. Esse ambiente pode se tornar uma verdadeira tormenta, sobretudo se os resultados não vierem.

Ao mesmo tempo, a partida deixou claro um traço marcante do time comandado por Carlo Ancelotti: a intensidade. Mesmo com uma formação improvisada, o Brasil mostrou um comportamento coletivo de muita entrega, com briga pela bola em todos os setores do campo. Esse padrão ajuda a explicar a cautela do treinador em relação a Neymar. Se não estiver 100% fisicamente, o atacante dificilmente conseguirá se encaixar nesse modelo que exige participação constante sem a bola. A derrota é compreensível pelo contexto, mas o jogo deixa um recado claro: há uma ideia de time em construção, ainda que cercada por dúvidas e pressões inevitáveis.

Mesmo com um time bastante desfalcado, a seleção brasileira precisou lidar com problemas evidentes na defesa. Carlo Ancelotti foi obrigado a lançar mão de uma dupla de zaga formada por Léo Pereira e Bremer, jogadores que sequer vinham sendo convocados regularmente e que acabaram jogados em uma verdadeira fogueira diante de um adversário de alto nível.

Some-se a isso o fato de que dois dos principais nomes do ataque, peças centrais nos planos do treinador, estiveram longe do nível que apresentam em seus clubes. Vinícius Júnior e Raphinha, protagonistas no Real Madrid e no Barcelona, respectivamente, não tiveram uma tarde inspirada e pouco conseguiram produzir ofensivamente. A queda de rendimento desses jogadores pesou diretamente na capacidade de reação da equipe, que acabou sem a referência técnica necessária para transformar a pressão em resultado.

A Paraíba em campo

Em meio a um daqueles jogos que carregam o peso da história, um detalhe chama atenção e foge ao óbvio: João Pessoa entra em cena como protagonista. Não é exagero. Pela primeira vez, dois jogadores nascidos na capital paraibana dividem o gramado em um duelo desse tamanho, algo raro até mesmo para centros tradicionais do futebol brasileiro.

De um lado, Matheus Cunha, nascido em 27 de maio de 1999, atacante que construiu carreira sólida na Europa e hoje veste a camisa do Manchester United, levando consigo a marca da versatilidade no setor ofensivo. Do outro, Douglas Santos, lateral-esquerdo nascido em 22 de março de 1994, com trajetória consolidada no futebol internacional e atualmente no Zenit, além de presença frequente na seleção. Dois caminhos distintos, duas carreiras moldadas longe de casa — mas com a mesma origem: João Pessoa, que, por uma noite, deixa de ser coadjuvante e vira parte direta de um clássico entre gigantes.

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