João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Brasil faz o que os EUA não fizeram: repercussão mundial da condenação de Bolsonaro
12/09/2025 16:54
Redação ON Reprodução

O jornal The New York Times classificou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal como um marco inédito na responsabilização de líderes políticos por ataques à democracia. O artigo, assinado por Steven Levitsky, professor de Harvard e autor de Como as Democracias Morrem, e por Filipe Campante, professor da Johns Hopkins University, foi direto: o Brasil conseguiu o que os Estados Unidos falharam em fazer — punir um presidente que tentou reverter uma eleição.

Segundo os articulistas, o contraste é gritante. Enquanto Donald Trump, mesmo após a tentativa de reverter o resultado eleitoral em 2020, não apenas escapou da prisão como voltou à Casa Branca, Bolsonaro foi considerado culpado e condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. “Na prática, a administração dos EUA está punindo os brasileiros por fazerem algo que os americanos deveriam ter feito, mas não fizeram: responsabilizar um ex-presidente por tentar reverter uma eleição”, escreveram, em referência à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Condenação no STF

A Primeira Turma do STF decidiu por 4 votos a 1 que Bolsonaro cometeu cinco crimes: tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Além da pena, a decisão impôs a inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da sentença, tornando quase eterna sua exclusão do cenário eleitoral.

Tensões com os Estados Unidos

O New York Times ressaltou ainda que a decisão deve intensificar as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. O jornal revelou que a Casa Branca teria tentado pressionar contra o processo por meio da imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, de uma investigação comercial e até da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. Apesar disso, juízes brasileiros reagiram às pressões externas votando pela condenação, em uma demonstração explícita de soberania.

Repercussão internacional

A condenação de Bolsonaro dominou as manchetes ao redor do mundo, em tons que variaram entre o espanto e a celebração:

       •     New York Times (EUA): descreveu Bolsonaro como líder de uma conspiração fracassada que pretendia dissolver tribunais, empoderar as Forças Armadas e até assassinar o presidente eleito.

       •     Reuters (Reino Unido): destacou que Bolsonaro é o primeiro ex-presidente condenado por atentar contra a democracia, lembrando o voto isolado de Luiz Fux pela absolvição.

       •     The Guardian (Reino Unido): afirmou que Bolsonaro tentou “aniquilar a democracia” e alertou para possíveis contestações jurídicas futuras.

       •     Washington Post (EUA): avaliou que o julgamento aprofunda a divisão política no Brasil, mas reforçou que Bolsonaro ainda é uma figura de peso, capaz de influenciar as eleições de 2026.

       •     Wall Street Journal (EUA): relacionou a decisão à disputa entre Trump e Lula, lembrando das tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil.

       •     Bloomberg (EUA): registrou as acusações de perseguição política feitas por Bolsonaro e citou projetos de anistia debatidos no Congresso, mas com pouca adesão no Senado.

       •     The Economist (Reino Unido): lembrou a frase de Bolsonaro em 2022 — “não serei preso” — e classificou o desfecho como histórico em um país marcado por golpes.

       •     El País (Espanha): disse que o Brasil deu “um passo importante contra a impunidade”, destacando a pressão internacional e o papel decisivo da ministra Cármen Lúcia.

       •     BBC (Reino Unido): explicou que a trama golpista culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, ressaltando que apenas um ministro votou contra a condenação.

       •     Clarín (Argentina): classificou o julgamento como “histórico” e lembrou que Bolsonaro cumpre prisão dom…

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