terça-feira, 28 de abril de 2026
Brasil discute reduzir jornada e acabar com a escala 6×1 enquanto Argentina avança para até 12 horas por dia
28/04/2026 05:49
Redação ON Reprodução

A América do Sul vive hoje um contraste que diz muito mais do que aparenta à primeira vista. Enquanto o Brasil começa a discutir formas de aliviar a rotina do trabalhador e humanizar as relações de trabalho, a Argentina segue na direção oposta, ampliando a carga diária e endurecendo regras.

No país vizinho, o governo de Javier Milei conseguiu respaldo judicial para implementar mudanças que permitem jornadas de até 12 horas por dia, desde que respeitado o limite semanal. Na prática, abre-se espaço para dias mais longos, mais cansativos e com impacto direto na saúde física e mental do trabalhador.

A reforma também avança sobre outro ponto sensível: o direito de greve. Em setores considerados essenciais, há restrições mais duras, o que, na avaliação de sindicatos, reduz a capacidade de reação dos trabalhadores diante de abusos ou perdas de direitos.

A resposta das entidades sindicais argentinas foi imediata. Há mobilização para recorrer à Suprema Corte, sob o argumento de que o país está retrocedendo em garantias históricas e aprofundando um modelo que exige mais do trabalhador e oferece menos proteção.

Enquanto isso, no Brasil, o debate caminha em sentido inverso. Ganha força a proposta de acabar com a escala 6×1, um modelo que impõe seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso. A discussão não é apenas técnica, é social: trata-se de reduzir o desgaste, ampliar o tempo de convivência familiar e melhorar a qualidade de vida.

A possível substituição por escalas como 5×2 ou até 4×3 aponta para uma lógica diferente — a de que o trabalhador não pode viver apenas para trabalhar. Menos dias seguidos de serviço significam mais descanso, mais saúde e maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

O contraste é evidente. De um lado, um modelo que estica a jornada e aproxima o trabalho de um regime de exaustão contínua. Do outro, uma tentativa de tornar o trabalho mais digno, mais humano e compatível com a vida fora dele.

Ainda assim, chama atenção o fato de que há, no Brasil, quem veja com simpatia o caminho adotado pela Argentina. É um olhar que ignora os efeitos concretos dessas medidas sobre quem está na base da pirâmide e que, na prática, naturaliza jornadas mais pesadas como se fossem sinônimo de progresso.

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