domingo, 1 de fevereiro de 2026
Botafogo reage ao vexame, demite Bernardo Franco e escancara erros da SAF
01/02/2026 13:51
Redação ON Reprodução

A crise no Botafogo da Paraíba ganhou forma oficial na manhã deste domingo. Menos de um dia após a goleada por 4 a 1 sofrida diante do Campinense, em Campina Grande, a SAF decidiu encerrar o trabalho do técnico Bernardo Franco. Junto com ele, também deixou o clube o diretor de futebol Rodrigo Pastana. A reunião que selou as demissões ocorreu na Maravilha do Contorno e foi o primeiro gesto concreto da diretoria após o colapso em campo.

A saída de Bernardo Franco não é um episódio isolado. Ela representa a quinta troca de treinador desde a implementação da SAF no clube. Antes dele, passaram pelo comando técnico João Burse, Antônio Carlos Zago, Márcio Fernandes e Evaristo Piza. A sequência revela mais do que instabilidade: aponta ausência de convicção, falhas graves de planejamento e uma sucessão de decisões equivocadas.

Logo após o vexame em Campina Grande, o proprietário da SAF, Filipe Félix, prometeu “medidas sérias” para conter a crise. A demissão do treinador foi a resposta imediata, mas também um reconhecimento tácito de que os erros cometidos pela diretoria se acumularam rápido demais. Como apontou o Norte Online em sua manchete principal deste domingo, o Botafogo vive um verdadeiro jogo de sete erros — todos internos.

Dois desses erros se conectam diretamente à queda de Bernardo Franco.

O primeiro foi o falso planejamento para 2026. Sob o discurso de reestruturação e projeto de longo prazo, a SAF optou por não renovar o contrato de Evaristo Piza, técnico que havia salvado o clube do rebaixamento para a Série D na temporada passada. A decisão foi vendida como parte de uma virada de chave, com promessa de evolução técnica e ambição esportiva.

O segundo erro foi a escolha do substituto. Bernardo Franco chegou como uma aposta de risco elevado. Aos 39 anos, trazia no currículo trabalhos em categorias de base e uma passagem curta e malsucedida pelo Cuiabá, encerrada com rebaixamento na Série A. Ainda assim, foi apresentado como um nome alinhado à modernidade e à nova mentalidade do clube.

Nada disso apareceu em campo. O Botafogo mostrou fragilidade tática, desorganização coletiva e um time emocionalmente instável. Fora das quatro linhas, o treinador se destacou por discursos longos e explicações técnicas que contrastavam com a sequência de maus resultados. O desfecho foi simbólico e cruel: o Belo foi atropelado justamente pelo Campinense, hoje comandado por Evaristo Piza, o técnico descartado em nome do planejamento.

A demissão de Bernardo Franco não encerra a crise. Ela apenas confirma aquilo que já estava evidente. O problema do Botafogo da Paraíba não está apenas no banco de reservas. Está nas decisões tomadas acima dele. Enquanto a SAF insistir em romper ciclos sem critério, apostar em nomes sem lastro e confundir discurso com gestão, o clube seguirá trocando técnicos — e repetindo erros — em ritmo alarmante.

canal whatsapp banner

Compartilhe: