João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Bolsonaro sob vigilância reforçada: medo de fuga pela casa do vizinho apimenta crise no STF
30/08/2025 11:56
Redação ON Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (30) o reforço da vigilância em torno da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em um condomínio no Jardim Botânico, área nobre de Brasília. A medida foi tomada depois que a Polícia Federal alertou para o risco de fuga por uma rota inusitada: pulando o muro dos fundos e atravessando para a casa de um vizinho.

Temor da PF: muro, carro de vizinho e rota até a embaixada

Segundo relatório citado pela Folha de S. Paulo, a PF analisou imagens aéreas do imóvel e concluiu que a parte traseira da residência não era monitorada. O cenário traçado prevê que Bolsonaro poderia escalar o muro, entrar em uma casa ao lado e sair em um carro não fiscalizado até a portaria do condomínio. Dali, estaria a apenas dez minutos da embaixada dos Estados Unidos, onde pediria asilo. O relatório incluiu croquis mostrando essa brecha de segurança.

O parecer da PGR e a resposta do STF

Diante desse risco, a PF pediu ao STF que agentes ficassem dentro da casa de Bolsonaro 24 horas por dia. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, discordou, argumentando que a prisão domiciliar já era suficiente, mas apoiou reforços na vigilância externa e na entrada do condomínio. Moraes, então, adotou um meio-termo: determinou monitoramento presencial pela Polícia Penal do Distrito Federal na área externa da casa e nas divisas com os imóveis vizinhos.

Além disso, autorizou vistorias em todos os veículos que saírem da residência do ex-presidente. Os carros terão que ser revistados, com identificação de motoristas e passageiros, e o envio diário dessas informações ao Supremo.

Panela de pressão política

O caso adiciona ainda mais tensão a uma conjuntura já inflamável em Brasília. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o início de agosto, com tornozeleira eletrônica, após descumprir medidas cautelares que o impediam de usar redes sociais de terceiros. Na próxima terça-feira (2), ele e outros sete aliados serão julgados pela Primeira Turma do STF por participação na trama golpista de 2022.

A combinação de pareceres divergentes, decisões judiciais firmes e o temor de uma fuga cinematográfica transforma o episódio em mais uma pitada de pimenta numa panela de pressão que já ferve na política brasileira.

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