O ministro Alexandre de Moraes determinou neste sábado (22/11) a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após recomendação da Polícia Federal. Segundo a PF, a decisão tornou-se urgente depois que o senador Flávio Bolsonaro convocou uma vigília em frente ao condomínio onde o pai mora, o que poderia gerar aglomeração, tumulto e conflito aberto entre militantes e forças de segurança. Para evitar desordem pública, a PF pediu a prisão imediata — e Moraes acatou.
Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde ficará em uma sala de Estado, ambiente reservado a altas autoridades. A prisão não marca o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses impostas pela Primeira Turma do STF em setembro, mas recoloca o ex-presidente sob custódia em regime mais rígido.
A defesa tentou evitar o encarceramento fechado nas últimas semanas, argumentando fragilidade de provas, contradições no acórdão e até “desistência voluntária” da suposta trama golpista. Também insistiu em pedir prisão domiciliar, alegando motivos de saúde — tese reforçada por aliados e familiares. Os embargos, porém, foram rejeitados por unanimidade, mantendo a condenação intacta.
O histórico recente pesou. Bolsonaro já havia descumprido medidas cautelares ao participar de manifestações transmitidas ao vivo, o que levou Moraes a impor tornozeleira eletrônica e, depois, prisão domiciliar. A PF também apura tentativas do ex-presidente e de Eduardo Bolsonaro de influenciar o governo dos Estados Unidos para pressionar o STF, o que resultou na abertura de novo inquérito por obstrução de justiça.
Agora, Bolsonaro permanece detido enquanto a Corte analisa eventuais pedidos da defesa e define os próximos passos do processo. A prisão, que por anos foi tratada como improvável pelo próprio ex-presidente, se materializa num dos momentos de maior tensão política desde o início das investigações do 8 de janeiro.