O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado para setembro no Supremo Tribunal Federal, não será apenas um episódio da política interna brasileira. A condenação quase certa do ex-mandatário está transformando-se num detonador de uma crise internacional que já colocou Brasil e Estados Unidos em rota de colisão.
Segundo informações repercutidas na GloboNews, a estratégia de Washington é clara e inédita: aplicar a Lei Magnitsky contra todos os ministros do STF que votarem pela condenação de Bolsonaro. Trata-se de um mecanismo usado pelos EUA para punir autoridades estrangeiras acusadas de abusos de direitos humanos ou corrupção, e que, neste caso, pode significar a suspensão de vistos, congelamento de bens e forte exposição internacional de magistrados brasileiros.
A pressão já começou. Washington impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, sancionou ministros do STF — incluindo Alexandre de Moraes — e revogou vistos de magistrados. A mensagem é inequívoca: os EUA consideram o processo contra Bolsonaro uma perseguição política e estão dispostos a agir de forma dura e progressiva, voto a voto, no coração do Supremo.
O que vem pela frente pode ser ainda mais grave. Fontes em Brasília não descartam que a próxima cartada de Washington seja constranger a comitiva brasileira que viajará à ONU no fim do mês, dificultando vistos ou criando embaraços diplomáticos que deixariam o país exposto diante do mundo. Uma manobra dessa natureza, se confirmada, equivaleria a um terremoto na relação bilateral.
O Palácio do Planalto já acena com retaliações: levar a disputa à OMC, aplicar tarifas recíprocas e usar a recém-aprovada Lei de Reciprocidade Comercial para responder golpe por golpe. O problema é que essa escalada tem tudo para sair do controle. De um lado, um STF decidido a não ceder à pressão externa; do outro, uma Casa Branca disposta a intervir em defesa de um aliado político de Donald Trump.
O resultado é um quadro alarmante. O Brasil, em plena efervescência política, vê sua soberania colocada em xeque por medidas que podem sufocar sua economia e isolar sua diplomacia. E os EUA, que sempre foram apresentados como parceiros estratégicos, passam a agir como potência hostil, interferindo diretamente num julgamento de repercussões históricas.
Se a condenação de Bolsonaro realmente se concretizar, o choque pode ser devastador. O que começou como uma batalha judicial pode terminar como a maior crise diplomática das últimas décadas, com consequências imprevisíveis para o comércio, para a política e até para a estabilidade democrática do país.

