João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Bolsonaro discursa por telefone em ato e vídeo nas redes de Flávio pode gerar nova crise com o STF
03/08/2025 19:57
Redação ON Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou neste domingo (3), por telefone, de manifestações organizadas por seus apoiadores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Copacabana, sua saudação foi transmitida ao público por alto-falantes e, na sequência, o vídeo foi publicado no perfil oficial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O gesto pode reacender o embate entre Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque, embora não esteja proibido de se manifestar publicamente, o ex-presidente está impedido de utilizar redes sociais — próprias ou de terceiros — por força de medida cautelar imposta pelo ministro Alexandre de Moraes. No STF, a avaliação inicial de interlocutores do gabinete de Moraes é que o vídeo pode configurar violação da decisão judicial.

Na mensagem telefônica, Bolsonaro aparece com o celular na mão e a tornozeleira eletrônica visível. Ele cumprimenta os manifestantes e afirma: “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos”.

O vídeo com a saudação foi publicado diretamente na conta de Flávio Bolsonaro, com a legenda: “Palavras de Bolsonaro em Copacabana. A legenda é com vocês”. A postagem levanta questionamentos sobre o uso indireto das redes sociais, o que, segundo Moraes, não é permitido. Em despacho anterior, o ministro já havia alertado que não seriam admitidos “subterfúgios para manutenção da prática de atividades criminosas”, inclusive por meio de “discursos públicos como material pré-fabricado para postagens em redes de terceiros previamente coordenados”.

Em São Paulo, durante manifestação na Avenida Paulista, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) exibiu ao público uma videochamada com Bolsonaro. “Não pode falar, mas pode ver”, disse, enquanto mostrava o rosto do ex-presidente na tela do celular.

Para especialistas, a publicação do vídeo nas redes de Flávio pode configurar quebra da medida imposta pelo STF. “Se fosse um terceiro aleatório, seria mais difícil demonstrar que ele tinha ciência da publicação. Como foi um filho, fica mais complicado. A Procuradoria-Geral da República pode fazer novo pedido de prisão. A cautelar é discutível, mas o descumprimento gera risco de medidas mais duras ou até prisão”, avaliam advogados.

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