Pernambuco encerra 2025 com projeção nacional e internacional em áreas que vão do cinema à música, passando pelo esporte e pela cultura popular. Reportagem destacou o protagonismo do estado ao longo do ano, apontando uma sequência de conquistas que recolocaram Pernambuco no centro do debate cultural brasileiro e ampliaram sua visibilidade fora do país. A apuração é de Luiz Antônio Araújo, do site BBC Brasil News.
O Recife dos anos 1970 voltou às telas em 2025 com o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, uma das produções brasileiras pré-selecionadas para concorrer ao Oscar de 2026. No mesmo ano, o cineasta conquistou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, consolidando seu nome entre os principais realizadores do cinema contemporâneo.
A música também teve papel central nesse protagonismo. O cantor João Gomes levou o sotaque e o repertório nordestino ao palco internacional ao vencer, em Las Vegas, o Grammy Latino de melhor álbum de música de raízes em língua portuguesa, ao lado de Mestrinho e Jotapê, pelo disco Dominguinho. Natural de Serrita, no Sertão pernambucano, Gomes ainda faturou cinco categorias no Prêmio Multishow de 2025 e fechou o ano dividindo o palco com Roberto Carlos no especial de fim de ano da TV Globo.
No esporte, o estado também teve motivo para comemorar. Jhon Xavier entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a conquistar medalha em um Mundial de Base no pentatlo moderno. O desempenho rendeu reconhecimento no Prêmio Brasil Olímpico de 2025, concedido pelo Comitê Olímpico Brasileiro, reforçando a presença pernambucana em modalidades pouco tradicionais no país.
Porém, os últimos dias do ano expuseram contradições
Apesar do saldo amplamente positivo, os últimos dias de 2025 trouxeram episódios que destoam do discurso de modernidade, diversidade e inclusão associado ao novo ciclo vivido por Pernambuco.
Um deles ocorreu na praia de Porto de Galinhas, onde um casal de turistas foi agredido após uma discussão com comerciantes locais. Segundo os relatos, a confusão começou por causa do preço do aluguel de cadeiras de praia e terminou com violência física. A governadora Raquel Lyra classificou o episódio como crime grave e informou que 14 agressores foram identificados e serão indiciados. As vítimas, vindas do Mato Grosso, afirmaram ter sido atacadas por cerca de 30 pessoas, em um caso que gerou repercussão negativa e levantou questionamentos sobre intolerância e segurança em um dos principais cartões-postais do estado.
Outro desgaste veio da política. No linguajar direto do Nordeste, o prefeito do Recife, João Campos, bateu pino. A crise começou como uma decisão administrativa, mas rapidamente ganhou dimensão política e digital. A tentativa de nomear um candidato que havia ficado na 62ª colocação em um concurso público, após reclassificação para a condição de pessoa com deficiência, provocou forte reação nas redes sociais.
A medida acabou prejudicando o advogado paraibano Marko Venício dos Santos Batista, único aprovado originalmente dentro das vagas destinadas a pessoas com deficiência. O fato de o beneficiado ser filho de uma procuradora alimentou a percepção de favorecimento e tornou a situação insustentável. Diante da repercussão negativa, o prefeito recuou, encerrando o episódio sob desgaste público.
Assim, enquanto 2025 consolida Pernambuco como referência cultural, artística e esportiva, o fechamento do ano também serve de alerta: o reconhecimento conquistado precisa caminhar junto com práticas institucionais sólidas, respeito às diferenças e decisões públicas à altura do protagonismo que o estado passou a ocupar.

