A política paraibana ganhou nesta semana um novo capítulo de tensão que, por enquanto, parece silencioso, mas tem tudo para virar barulho de microfone aberto. O estopim veio de Aguinaldo Ribeiro, deputado federal e figura central do Republicanos na Paraíba, que não gostou nem um pouco da movimentação do prefeito Cícero Lucena em torno da sucessão estadual.
Aguinaldo acha que Cícero está se adiantando demais, articulando alianças e flertando com campanha própria sem antes esperar a palavra final do governador João Azevêdo, que é quem controla o xadrez da base governista. Traduzindo: para o deputado, Cícero está com pressa e sede de protagonismo, o que bagunça o coreto do grupo que tenta manter unidade até 2026.
E é aqui que entra Adriano Galdino, presidente da Assembleia Legislativa e, como se sabe, um político de pavio curto. Ele confirmou que conversou com Cícero sobre a crítica de Aguinaldo e deixou escapar um aviso em tom quase de ameaça:
“Isso vai ter consequência.”
Nos bastidores, a leitura é simples: Galdino está pronto para chutar acima do joelho se sentir que seu grupo está sendo atropelado. E Aguinaldo, pela fala do deputado estadual, pode ser o primeiro alvo da pancadaria verbal.
Se esse racha for adiante, João Azevêdo terá um problema real: dois de seus principais aliados disputando espaço e narrativa, justamente num momento em que o governador precisa costurar a sucessão estadual com calma e sem desgaste.
Por enquanto, são apenas farpas, mas o histórico de Galdino mostra que, quando ele decide falar mais alto, as brigas internas da base viram espetáculo público. E, em política paraibana, todo mundo sabe: quando os microfones ligam, ninguém economiza no verbo.