João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Barraco no plenário: oposição ocupa Mesa Diretora, Hugo Motta reage e Câmara vira palco de confusão política
06/08/2025 22:47
Redação ON Reprodução

O que era para ser mais uma sessão ordinária da Câmara dos Deputados se transformou, nesta quarta-feira (6), em um espetáculo de desordem institucional. Com direito a empurra-empurra, ameaças de suspensão de mandatos e a presença da Polícia Legislativa no Salão Verde, o episódio escancarou a crise de autoridade e os limites da convivência entre base e oposição no Congresso Nacional.

O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu abrir oficialmente a sessão às 22h24 — mais de 24 horas após o horário originalmente previsto —, em meio à resistência de parlamentares bolsonaristas que se recusavam a deixar as cadeiras da Mesa Diretora. “Projetos pessoais não podem estar à frente do povo”, declarou Motta, visivelmente incomodado, ao pedir que os deputados ocupassem seus assentos de maneira respeitosa e permitissem o andamento dos trabalhos.

O barraco começou com uma ocupação simbólica do plenário por parlamentares de oposição, que vêm promovendo uma espécie de “vigília” contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo com o plenário invadido, Hugo Motta marcou uma sessão para as 20h30, na tentativa de retomar o controle institucional da Câmara.

A resposta foi mais tumulto. A Polícia Legislativa foi acionada. O clima, tenso. Deputados gritando, se empurrando e acusando a Mesa de censura e autoritarismo. Por volta das 22h10, após uma conversa tensa com os líderes partidários, Motta decidiu entrar no plenário e presidir pessoalmente a sessão. Foi recebido com resistência. Parte dos deputados de oposição se recusava a sair da mesa e chegou a haver bate-boca e empurrões.

A situação só se acalmou após uma trégua negociada nos bastidores: os parlamentares da oposição deixariam a Mesa Diretora, a sessão seria aberta formalmente, mas não haveria votações — apenas um pronunciamento do presidente. E assim foi feito. Às 22h20, Hugo Motta finalmente assumiu a condução da sessão. Quatro minutos depois, ela estava oficialmente aberta. E encerrada logo em seguida.

Ao discursar, Motta tentou dar um tom conciliador, mas não poupou críticas indiretas à oposição: “O que tem acontecido nesses últimos dias… Eu peço a todos, de maneira educada, que possamos deixar o espaço para a mesa. Peço aos parlamentares que tomem seus lugares. Projetos pessoais não podem estar acima do povo.”

A confusão na Câmara é reflexo direto do agravamento da crise política após a decretação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A oposição, cada vez mais acuada, tem adotado estratégias de obstrução e ocupação simbólica para marcar posição. A base governista, por sua vez, pressiona por retomada das votações e acusa os bolsonaristas de “golpismo teatral”.

O saldo da noite: nenhuma votação realizada, imagens de desordem institucional circulando nas redes e um recado claro — a polarização chegou com força total ao coração do Parlamento.

Atualização — O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, conseguiu abrir oficialmente a sessão às 22h24 desta quarta-feira (6/8), após mais de duas horas de atraso. A demora foi causada pela continuidade da obstrução promovida por parlamentares da oposição, que, pelo segundo dia consecutivo, ocupavam a Mesa Diretora em protesto. Entre as reivindicações, está a defesa da anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro.

Ao discursar, Motta criticou o uso político da crise e cobrou responsabilidade dos parlamentares. “Os debates que agora nos colocam também num possível conflito internacional… penso que nesta Casa deve habitar a construção das soluções para o nosso país. O Brasil tem que estar sempre em primeiro lugar. Não podemos permitir que projetos pessoais, eleitorais ou individuais se sobreponham àquilo que é maior do que todos nós: o nosso povo, que tanto precisa das decisões desta Casa”, afirmou.

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