A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nesta quarta-feira (3), continua produzindo ondas de choque nos bastidores de Brasília. Entre os elementos que levaram o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a decretar a prisão preventiva do empresário está uma série de mensagens que indicariam um plano para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma estrutura paralela de vigilância e intimidação chamada “A Turma”, utilizada para monitorar adversários, levantar informações sigilosas e reagir a reportagens consideradas negativas para a instituição financeira.
Nas mensagens interceptadas pelos investigadores, Vorcaro conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — apelidado de “Sicário” nos diálogos — apontado como responsável por executar operações de monitoramento e coleta de dados.
Em determinado momento, Mourão pergunta sobre a rotina do jornalista:
“Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? Hrs hein. Lanço uma nova sua? Positiva.”
Vorcaro responde:
“Sim. Cara escroto.”
Na sequência, o banqueiro sugere intensificar a vigilância.
“Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.”
A conversa evolui então para um trecho considerado especialmente grave pela investigação. Em outra mensagem, Vorcaro afirma:
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”
Mourão reage inicialmente com dois sinais positivos e responde que analisaria a possibilidade. “Pode? Vou olhar isso…”.
Vorcaro confirma: “Sim”.
Para a Polícia Federal, as mensagens indicam a tentativa de organizar uma agressão física simulando um assalto, com o objetivo de intimidar o jornalista.
Mourão foi preso preventivamente na mesma operação. Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que ele atuaria como o “longa manus violento” de Vorcaro — expressão jurídica usada para indicar alguém que executa ordens de um mandante.
Segundo Mendonça, a prisão foi decretada para garantir a ordem pública e econômica, preservar a investigação e assegurar a aplicação da lei penal.
A revelação das mensagens também expôs um ponto sensível da investigação. O caso havia permanecido praticamente silencioso por meses no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Com a decisão de Mendonça, os elementos mais graves da investigação vieram a público.
Em nota, o jornal O Globo repudiou o que classificou como uma tentativa criminosa de intimidar a imprensa.
“A ação visava calar a voz da imprensa, pilar fundamental da democracia”, afirmou o jornal, ao manifestar solidariedade ao colunista Lauro Jardim, um dos jornalistas políticos mais influentes do país.
Enquanto as investigações avançam, a prisão de Vorcaro segue provocando inquietação em Brasília. Nos bastidores, cresce o temor de que novos detalhes das mensagens e da estrutura de monitoramento atribuída ao banqueiro ainda venham à tona.