O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na manhã desta quinta-feira, 8 de janeiro, da cerimônia que marcou os três anos dos atos antidemocráticos de 2023. O evento foi realizado no Salão Nobre do Palácio do Planalto e contou com a presença de ministros, autoridades do governo federal e representantes da sociedade civil.
Apesar de convidados pelo próprio presidente da República, os chefes dos outros Poderes não compareceram. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, declinaram do convite. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, também não esteve presente. A Corte optou por realizar um evento próprio para lembrar a data.
A ausência simultânea dos comandos do Legislativo e do Judiciário acabou se tornando um dos pontos centrais da solenidade, reduzindo o peso simbólico do discurso de união institucional que o governo pretendia transmitir ao marcar a data no Palácio do Planalto.
Do lado de fora, em frente à Praça dos Três Poderes, apoiadores participaram de uma manifestação em defesa da democracia, convocada pelo Partido dos Trabalhadores e por movimentos sociais. A expectativa era de que Lula descesse a rampa do Planalto para cumprimentar o público, estimado em cerca de três mil pessoas. A segurança na região foi reforçada com uma operação integrada entre forças locais e órgãos federais.
Paralelamente ao ato, o cenário político seguiu marcado por tensões entre o Executivo e o Congresso Nacional. A oposição aposta no desgaste da relação entre Lula e o presidente do Senado para acelerar uma eventual derrubada do veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado recentemente por Câmara e Senado. O texto reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O distanciamento entre o Planalto e o comando do Senado se aprofundou após a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, contrariando expectativas de parte dos senadores, que defendiam outro nome para a Corte. Como reação, a tramitação do projeto que reduz penas acabou sendo acelerada, mesmo diante da resistência de setores da base governista.
Embora Lula já tenha declarado publicamente que pretende vetar o projeto, assessores próximos ao presidente defenderam que o anúncio não fosse feito durante a cerimônia desta quinta-feira. A avaliação é de que o veto poderia contaminar o caráter simbólico do ato e ampliar o atrito com o Congresso. O presidente tem prazo até a próxima segunda-feira, dia 12, para formalizar a decisão.
Dessa forma, o evento que pretendia reafirmar o compromisso institucional com a democracia também evidenciou o atual distanciamento político entre os Poderes, em uma data marcada justamente pela defesa da harmonia entre eles.

