Ataque ao Irã amplia crise internacional e provoca críticas dentro dos próprios Estados Unidos
28/02/2026 06:46
Redação ON Reprodução

Estados Unidos e Israel lançaram, na manhã deste sábado (28), uma ofensiva militar contra o Irã, elevando drasticamente o nível de tensão no Oriente Médio. A ação ocorre após semanas de ameaças do presidente norte-americano Donald Trump, que vinha sinalizando a possibilidade de um ataque de grande escala contra o regime iraniano.

De acordo com a imprensa estatal iraniana, diferentes regiões do país foram atingidas simultaneamente, e há expectativa de que a operação militar se prolongue por vários dias. O Irã confirmou o início da retaliação, enquanto as Forças Armadas de Israel informaram ter detectado o lançamento de mísseis balísticos iranianos em direção ao território israelense.

A capital Teerã registrou ao menos três grandes explosões nas primeiras horas da ofensiva. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram colunas densas de fumaça se formando no centro da cidade. Informações preliminares indicam que um dos ataques ocorreu nas proximidades de uma das residências do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Em publicação na rede Truth Social, Donald Trump confirmou a operação militar, afirmando que o objetivo da ação é “defender o povo americano, eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”. Segundo o presidente, as atividades do governo iraniano colocariam em risco direto os Estados Unidos, tropas americanas estacionadas no exterior e aliados estratégicos ao redor do mundo.

Após o início dos ataques, Israel e Irã anunciaram o fechamento de seus respectivos espaços aéreos como medida de segurança. O Ministério da Saúde iraniano informou que ambulâncias foram deslocadas para áreas centrais de Teerã e que hospitais permanecem em estado de alerta máximo. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o número de vítimas nem sobre todos os alvos atingidos.

A primeira confirmação pública da ofensiva havia sido feita pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que classificou a operação como uma ação preventiva destinada a “eliminar ameaças”, sem detalhar os alvos militares.

O novo confronto ocorre menos de um ano após bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas, durante um período de intensos confrontos militares que durou 12 dias na região.

The New York Times

O ataque também provocou forte reação dentro dos próprios Estados Unidos. Em editorial publicado pelo jornal The New York Times, o diário afirma que Donald Trump prometeu durante a campanha presidencial de 2024 encerrar guerras, e não iniciar novos conflitos, mas que, ao longo do último ano, teria ordenado ações militares em sete países diferentes.

O texto critica ainda o fato de o presidente não ter apresentado justificativas consideradas plausíveis para o risco de escalada militar nem ter submetido a decisão ao Congresso americano, responsável constitucionalmente por autorizar declarações de guerra. Segundo o editorial, Trump apresentou argumentos considerados parciais e contraditórios, incluindo a defesa do povo iraniano contra seu próprio regime e a exigência de abandono do programa nuclear do país.

O jornal também questiona a credibilidade das declarações do presidente ao lembrar que Trump afirmou anteriormente que o programa nuclear iraniano havia sido “aniquilado” em ataques anteriores, avaliação posteriormente contestada por órgãos de inteligência dos próprios Estados Unidos. Para o editorial, o episódio levanta dúvidas sobre a confiança que a população americana deve depositar nas garantias oficiais sobre os objetivos e consequências das novas operações militares.

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